|
O Ponto Zero
Inicie a Viagem com a faculdade de pensar em imagens, pensar como pensa
o subconsciente, como pensa o Universo.
O Universo não pensa em português, nem em francês, nem em fórmulas químicas.
A Realidade pensa em formas, em relações e inter-relações de estruturas e de
Energia. Pense como pensa o Universo, permita-se sentir, perceber.
É uma passagem secreta, uma porta para entrar em intuição, em contato direto com a Realidade.
As imagens despertam a sensibilidade,a comunicação mental, a visão, a percepção. Percebemos, sabemos.
Use, conscientemente, a totalidade do cérebro: o hemisfério esquerdo, racional, que pergunta com precisão e o hemisfério
direito que sente, percebe. Perceber com precisão, perceber diretamente a Realidade.
Usar a totalidade da inteligência é fácil. Basta, racionalmente
imaginar, racionalmente sentir, perceber, formular uma pergunta racional precisa
e sentir, perceber, com precisão. Einstein e Leonardo da Vinci faziam isso.
Nós também podemos.
Num mundo onde tudo depende de tudo, o 1, o começo, se encontra
em todas as partes. Não tem começo nem fim. Assim, vamos começar pelo
sem número, o Zero.
Viagem Interior
O Ponto Zero
Apenas
permita-se sonhar.
Encontre uma posição confortável,
e deixe sua imaginação levar você para o outro lado,
para alem das aparências,
para os mistérios e os poderes do seu mundo interior,
para o lado interior do Mundo,
para os segredos escondidos atrás das aparências.
Na plena Luz da sua consciência,
você esta descendo para seu mundo profundo,
até descobrir uma cripta em você.
No fundo da cripta, iluminado pela Luz da sua consciência,
você descobre uma porta de madeira.
Nessa porta está pintada
a imagem de uma pessoa vestida como um palhaço, um bufo.
Na mão direita segura um bastão,
que usa como bengala.
Nas costas leva uma mochila,
que parece vazia.
Anda com os olhos mal focalizados, sonhando... devaneando.
Um cachorro atrás está pronto para morder suas calças rasgadas.
Um bufo, um vagabundo que não sabe para onde vai.
Com
curiosidade, você entra nessa imagem;
é uma porta para ir longe.
Entrando nessa figura, você se torna ela, você é ela.
Caminhando...
olhando com o olhar do devanear.
Olhando para Nada, olhando no Nada.
Olhando nesse Nada misterioso de onde vem o Universo,
nesse Nada divino que contém as galáxias.
Sentindo-se
um zero.
Sentindo-se nada.
Sentindo-se tudo.
Em comunhão com a imensidão, com o Céu e com a Terra:
"Tudo isso sou eu. Esse Universo sou eu."
Seu caminhar o levou para
uma pequena cidade.
Caminhando na rua principal você sente:
"Ninguém presta atenção
para esse Nada que eu sou.
Ninguém, fora os cachorros.
Eu sou Nada."
Da mochila, que parecia nada
conter,
você tira uma coroa,
vestindo-se de rei,
começando o teatro.
Você é um ator em um papel de
rei.
As pessoas da cidade vêm admirar
o espetáculo. Aplaudem.
Vestindo-se de camponês, você
é um ator em um papel de camponês.
As pessoas da cidade aplaudem.
Vestindo-se de velho... vestindo-se
de jovem... vestindo-se de ingênuo...
vestindo-se de esperto...
vestindo-se de guerreiro. Aplaudem, aplaudem.
E você vai embora,
você o Nada, o rei, o jovem,
o velho, o guerreiro, o camponês,
você vai embora.
O Nada que você é vai mais longe,
vestir-se com a imensidão dos caminhos,
vestir-se das colinas, das árvores, do vento, da chuva,
vestir-se da Luz das estrelas,
do Sol e do luar.
Você vai, sem saber para onde.
Qualquer caminho caminha
na imensidão da Realidade divina.
Caminha no Ser.
"Eu sou Nada, posso
vestir qualquer forma,
a forma de um rei ou de um vagabundo,
a forma da juventude ou da velhice,
a forma da estupidez ou da sabedoria.
Minha mochila está vazia.
Minha mochila contém o Céu e as estrelas,
o Sol e a Lua,
o mar, as florestas, as cidades com seus moradores
e o vento que vem do mar,
o vento onde voam os pássaros
e o vento de Luz, que vem das galáxias.
Não sei nada, o Universo é grande
demais.
Eu compreendo sendo.
Para compreender o rei eu sou
o rei,
para compreender a vida sou a vida,
para compreender o amor, amo.
Para compreender o relâmpago,
eu caio do Céu,
para compreender o fogo, danço
a dança das chamas,
para compreender você, sou você.
Para compreender o Divino, entro
em comunhão.
Podem latir os cachorros e morder.
Podem morder as minhas roupas.
Não podem morder o Nada que eu
sou."
Imaginando o Templo do Sol,
você é Você,
embaixo da grande cachoeira de Luz.
E com prazer você veste seu corpo
humano,
para respirar o vento que vem do mar,
para admirar a beleza tranqüila
do pôr do Sol,
e para participar da criação
permanente do Universo.
Comentário
O
ponto Zero corresponde a Netuno, à espiritualidade em si, ao "Nada, Nada,
Nada" de São João da Cruz, e ao Nirvana do Buda. É um ponto perigoso,
correspondendo a faculdades supraconscientes, então inconscientes, atuando de
maneira cega. O ponto de confusão, de mística, de bebida, drogas e inspirações.
Divino, quando consciente e em harmonia com os outros pontos. É um ponto de
totalidade: sozinho, é apenas um vagabundo, um louco.
O ponto Zero precisa especialmente
do ponto 19, o Sol. Para entrar em comunhão, precisa de alguém. Alguém, um
sol, uma consciência entra em comunhão, e isso tem valor. Mas, se você se aniquilar,
você apenas entra em confusão.
Todos
os planetas gravitam ao redor do Sol e o Sol ilumina os planetas. Em nosso mundo
interior, o centro é o Sol da nossa consciência. Netuno, a mística, é apenas
um planeta. Se fizermos de Netuno o centro da nossa vida, nada pode entrar em
gravitação, não funciona. O espiritual, o Infinito, é apenas um fragmento de
Realidade. A Realidade é tudo: espiritual e material. O ponto Zero
precisa do Sol ou do ponto 11, a Força.
Não
podemos ser conscientes de tudo. Seria uma terrível confusão. Basta apenas sermos
conscientes de que todos os poderes do inconsciente estão à nossa disposição.
O Sol verdadeiro ilumina até Plutão. O Sol verdadeiro é o sistema solar inteiro.
Todos nós temos todos os planetas. Temos todos o poderes do sistema
solar. Somos um holograma do Universo.
|
A Viagem Interior Planetária
|
D.K Saudo a Todos os Grandes Seres da Hierarquia de Peixes do Planeta Netuno.
NETUNO
Netuno
está tão longe que, até em um telescópio, tem uma aparência confusa, parece
se dissolver nas trevas do espaço, nesse oceano de Nada onde gravitam as galáxias.
Parece estar em comunhão com essa imensidão. Parece nada e parece essa
imensidão. Esse Nada
de que falam o Buda e São João da Cruz.
Netuno
é o planeta dos místicos, o planeta da comunhão. Também é o planeta dos atores.
Os atores se confundem com os personagens, deixam de ser eles para se tornarem
outros. Quem inventou o teatro? Foram os gregos. Mas o teatro grego é apenas
uma vulgarização dos Grandes Mistérios Gregos, e os Grandes Mistérios Gregos
são apenas uma adaptação dos Mistérios Egípcios, e os Mistérios Egípcios são
apenas uma sofisticação de um Mistério muito mais antigo e profundo: o xamanismo.
Um
xamã se identifica com um espírito, uma inteligência da Natureza e fala com
a voz dos Deuses. Assim, um ator se identifica com um/a
personagem, fala com a voz do/a personagem, sente, vive o/a personagem, é o/a
personagem. Depois encarna um outro papel, outro/a personagem, vive dez, quinze
personagens. Acaba se perdendo em uma grande confusão. Pergunta-se:
quem sou eu? Não sabe mais. Pode ser qualquer um desses personagens,
não é nenhum deles.
Quem
é ele? Ninguém, nada. Se ele compreendesse! Ele é ele, uma consciência sem forma, capaz de vestir qualquer
forma, a forma de Júlio César, de Macbeth ou de Othelo, de uma parede como no
"Sonho de uma noite de Verão" de Shakespeare, ou de uma montanha e
conhecer a montanha como a montanha se conhece, ou o vento. Ser o vento e compreender
o vento como o vento se compreende.
Netuno
é o verbo ser. O Verbo.
A fórmula para usá-lo é simples: eu sou. Eu sou o vento, eu
sou o cosmos, eu sou você.
No
teatro, podemos perceber como funcionam os dois hemisférios do cérebro. O espectador,
com curiosidade, observa o que acontece no palco, analisa, raciocina, compreende
com clareza e precisão, mas de maneira exterior e um pouco superficial. O espectador
usa a metade esquerda do cérebro: a metade racional. O ator não analisa, não
raciocina. Compreende os personagens sendo os personagens. Usa
a metade direita do cérebro. Usar as duas metades é eficiente!
Vamos
usar o verbo ser, viajar em Netuno:
Viagem Interior
Deixe,
deixe sua imaginação sonhar.
Deixe o oceano da sua imaginação se
movimentar.

Em plena Luz do Sol você chega a uma praia.
Seus pés nus sentem, com prazer, a areia seca,
que desliza com leveza.
Respirando essa brisa leve que vem do mar,
sentindo o calor do Sol nas
suas costas,
você se aproxima do mar,
andando na areia úmida,
firme sob os pés.
Entrando na água, as ondas
batem
nos seus pés, nos seus tornozelos,
essa água um pouco fria e tão agradável, tônica.
A água chega aos joelhos e você mergulha.
Nadando nessa água que não
tem forma própria,
não tem forma própria,
você veste um corpo de golfinho,
você é um golfinho,
deliciando-se em nadar nessa água transparente,
deliciando-se em descer profundo e subir,
pular fora da água,
mergulhar com um grande barulho.
Nadando, deliciando-se em sentir a água deslizar ao longo do seu corpo.
Descendo, admirando a paisagem de rochas, algas e areias,
onde fluem cardumes de peixes
multicoloridos.
Você sai do corpo de golfinho,
entra em um cardume de peixes,
você é todos eles,
nadando, com tranqüilidade,
com os corpos de muitos peixes.
Você é muitos peixes
nadando no prazer tranqüilo do fundo do mar,
passando através de uma floresta de algas dispersas.
Você é um que são muitos,
muitos que são um,
todos eles, o cardume,
sentindo pelo sentir de cada
um deles,
olhando pelos olhos de todos eles a misteriosa floresta de algas.
E você veste a floresta de
algas.
Você é a floresta de algas,
ondulando devagar ao ritmo
das águas,
em comunhão de ritmo com as águas,
sentindo essa tranqüilidade
vegetal que você é,
sem pressa, nesse devagar vegetal,
no ritmo natural da dança profunda
das águas profundas.
Em comunhão total com o oceano,
você dissolve suas formas,
veste o oceano,
essa imensidão de água.
Essa imensidão de água, você.
Das profundezas até as ondas
da superfície, você,
você sem forma própria,
fluindo de uma forma para outra;
você, essa imensa massa oceânica,
esse sentir oceânico,
esse sentir que sente de todos
os lados,
de cima, captando a Luz do dia e,
mais longe em você, ao mesmo
tempo,
captando os mistérios da noite, fluindo.
Das profundezas, sentindo a
paz das profundezas profundas,
você, o oceano sem forma no
tempo e na Eternidade.
O oceano de água salgada,
o oceano do tempo,
divagando na Eternidade.
O oceano de consciência que
você é.
O oceano do Ser.
Além, além. Além de qualquer
forma.
Além de qualquer carma. Além
de qualquer condicionamento.
Livre da forma.
Livre da liberdade eternal
da Eternidade oceânica que
você é.
E você se lembra do seu corpo
físico,
seu corpo humano,
e com delícia você entra nele,
deixando todas as células do seu corpo físico se lembrarem,
se lembrarem.
Comentário
Precisamos
usar Netuno, não devemos permitir que Ele tome nossas decisões: seria um caos,
uma confusão total. A maneira de agir das pessoas de Netuno é confusa: perdem
as chaves das suas casas várias vezes por dia, deixam qualquer um influenciá-las
e, como são muito telepáticas, deixam-se manipular, o tempo todo, por qualquer
influência que ande por aí. Saem
para ir ao cinema, mas passando em frente de uma loja entram, compram uma roupa
que nunca vão vestir: deixam o desejo de uma outra pessoa tomar decisões por
elas.
Controlar o oceano não é fácil.
Controlar Netuno não é fácil. O planeta do controle é Saturno, que estabelece
limitações. Mas Netuno está mais longe do Sol do que Saturno. Netuno, como os
dois outros planetas invisíveis, está fora do alcance de Saturno. A vontade
comum, a disciplina comum, conseguem controlar muito mal a hipersensibilidade
netuniana. Mas Netuno está contido no círculo descrito por Plutão. O sistema
solar inteiro está contido na esfera de Plutão. Quando o Sol da nossa consciência
ilumina Plutão, quando as qualidades supraconscientes de Plutão se tornam conscientes,
controlamos, sem repressão, de maneira espontânea, a totalidade do nosso universo.
O Supraconsciente
Netuno,
a Dimensão Espiritual
Critico a Índia. Critico a Índia de hoje, não a Índia verdadeira, a Índia dos Vedas. A
grande Índia cumpriu sua missão e morreu com a entrada da era de Peixes/Virgem.
A era de Peixes/Virgem tinha por missão conquistar uma nova forma de inteligência,
a inteligência racional. Começou 600 anos antes de Cristo, com o Budha, os filósofos
gregos e o idioma grego, o primeiro idioma moderno, dotado de uma poderosa estrutura
lógica: uma gramática. De um lado Peixes, Netuno, a espiritualidade; do outro
lado Virgem, Mercúrio, uma lógica impecável. A lógica separa, analisa, disseca
em pedaços para compreender como os pedaços se interligam, se explicam, como funciona.
Assim separou o Céu e a Terra, o espírito e a matéria. Budha queria só a espiritualidade:
isso é uma heresia. A Índia percebeu muito bem que Budha era um herético, expulsou
o Budismo. Não existem budistas na Índia. Mas, para conseguir expulsar a heresia
budista, Shankara foi obrigado a seguir a inteligência da época e fez exatamente
o que fazia o Budha: privilegiou a espiritualidade em detrimento da vida material,
esquecendo que o Infinito é apenas um pedaço da Realidade e que o Infinito se
materializa no esplendor do Universo. Mas
devemos ser gratos e muito, tanto ao Budha quanto a Shankara. O erro deles permite-nos
obter uma visão clara do mundo espiritual como tal, e compreender Netuno. Vamos
usar a Índia, a Índia divina. Vamos chamar Brahma, o Satguru (em sanscrito Sat
significa "Ser") o Guru do Ser. Brahma vem da raiz brih, que em sânscrito
significa "brilhar" (o sânscrito é um idioma indo-europeu, as raízes
são idênticas). Brahma, o brilhante. A Luz. O ser. O verbo ser. O Verbo. Deus
tem a mesma etimologia que “dia”: Luz). Netuno.
Viagem
Interior: O Satguru, o Mestre do Ser
Imagine,
na Índia, um Templo dedicado ao Sol Espiritual, um templo muito antigo, há
cinco mil anos atrás, na Índia dos Vedas. Talvez o templo esteja apenas um
círculo de árvores. As árvores são sagradas, pelas raízes em comunhão
com a Terra, pelas folhas em comunhão com o Céu. E
você anda na mata, à procura da Realidade. Subindo uma montanha, aproximando-se
do Céu, você encontra uma pessoa sentada, pernas cruzadas, em uma rocha.
Brilha. Uma pessoa feita de Luz. Você sabe. Encontrou Brahma, o Ser.
Encontrou a Pessoa quem É: o Guru do Ser. Com curiosidade, com toda a curiosidade
e a facilidade da sua alma, você pergunta: "Quem é Você"
A figura brilhante responde: "Eu sou o que eu sou. Quando sou o
vento, eu sou o vento. Quando sou a tempestade, eu sou a tempestade.
Quando sou a brisa da primavera, eu sou a respiração da primavera. Quando
sou as nuvens, eu caio em chuva. Quando sou o Sol, eu sou o Sol. Eu
sou o que eu sou." E você sabe. É o Guru do Ser. E você se
lembra. Você se lembra: "Eu sou. Eu sou. Eu posso Ser o que eu quiser.
Eu posso Ser eu, eu posso Ser você. Eu posso Ser o Universo. Eu
sou Brahma. Eu brilho. Eu sou a consciência. Eu sou eu, a consciência,
a Luz, a Luz sem forma, infinita. Sem forma, posso vestir qualquer forma,
a forma do trovão ou a forma de um pássaro. Eu posso vestir a forma
de uma estrela. Eu posso vestir uma galáxia. Eu sou o Poder do Universo,
a consciência. Eu posso vestir uma forma humana para respirar o vento
que vem do mar, para admirar a beleza do pôr-do-Sol, para tocar as pétalas
de uma rosa, para abraçar as pessoas que amo, para amar." E
você usa o Poder do Universo na sua vida quotidiana. Precisando de entusiasmo,
você veste o entusiasmo, você irradia entusiasmo, energia. Você transmite
entusiasmo, energia, aos outros. Você é um líder. Você veste o sucesso.
Veste a prosperidade. Veste a felicidade. Você é sucesso, prosperidade,
felicidade. Você é. Você é o que você é. Comentário Acabamos
de fazer o que faziam os Rishis, os videntes que criaram os Vedas. Usamos o Infinito,
o Nada, para materializar em nossa vida um Paraíso terrestre de bem-viver. Fomos
além de Netuno, além da espiritualidade, em Realidade usamos Plutão. Fizemos o
que fazem as árvores, usamos a polaridade Céu/Terra, a Energia cósmica fluindo
entre os dois pólos do Céu e da Terra, do espírito e da matéria. Fizemos o que
faz a Realidade divina. |