chama violeta  Pager

O Pescador de Homens


Jesus e Maria após sua tentativa frustrada de voltar para casa, passavam perto do cais do lago de Magdala quando viram Pedro e seu irmão André discutindo com seu pai Jonas, pela pescaria que fora fraca.
Jesus ao ver isso intercedeu chamando-os a se juntarem a ele e ao invés de pescar peixes, deixá-lo fazer deles pescadores de homens.
- Venham - disse Jesus, virando-se e começando a caminhar.
Eles o seguiram e o pai continuava berrando, atrás deles.
- Fique em paz, Jonas. - Como é que sabe o meu nome? - berrou.
- Eu o ouvi muitas vezes da boca de seus filhos - disse Jesus.
Quando se distanciaram de Jonas, começaram a falar com entusiasmo entre si.
Pedro deu um grito de alegria ao ver Maria, mas logo se arrependeu ao ver seu rosto triste e devastado por lágrimas.
- Foi muito ruim, é? - disse, balançando a cabeça.
- Pior do que você possa imaginar - disse Jesus. - A família a expulsou de casa.
- Joel? - perguntou Pedro, numa voz baixa de incredulidade.
- Sim - disse Jesus. - Acharam que ela estava enfeitiçada ou que eu estava possuído.
- Isso é absurdo! - disse André. - Será que eles não enxergam? Não compreendem?
- Acharam que ela comprometera a sua reputação por ter passado um tempo no deserto sozinha com vocês, que são homens - explicou Jesus.
Pedro deu uma risada triste. - Ah, se eles soubessem...
- Talvez estivessem pensando sobre o que eles fariam numa situação dessas - disse Maria.
É, talvez o próprio Eli, meu irmão, em sua hipócrita beatitude (ele era estudante das sagradas escrituras),tivesse se aproveitado de uma mulher desprotegida.
Talvez até seu pai, talvez Joel (seu Marido)...Que acusações odiosas! Mas, se não fosse assim, por que teriam sido seus primeiros pensamentos?
- É da generosidade do coração que a boca fala - disse Jesus. Obviamente, estivera pensando a mesma coisa. - Venham - disse, conduzindo seu rebanho em direção a Cafarnaum.
Enquanto caminhavam, Pedro ia explicando para Jesus as complexidades do ofício, pois Jesus não sendo pescador, não as conhecia. Pedro mostrava-se nervoso, mas entusiasmado com a ousadia que demonstrava ao se rebelar contra seu pai. De repente, um pouco mais adiante, ouviu-se uma voz familiar. Era a daquele pescador desagradável de cara vermelha, Zebedeu, que sempre agia como se fosse o dono do lago. Estava repreendendo seus filhos, que ainda estavam no barco. Era óbvio que a pescaria fora fraca.
Os dois rapazes no bote não se pareciam. Um era bastante forte, tinha um rosto largo e ombros largos e o outro era tão delicado e com feições tão bonitas que poderia ser tomado por uma moça.
- Pai, nós fizemos o melhor que pudemos - disse o magro, lamentando-se.
- O melhor, ora, o melhor! O melhor de vocês é o pior para mim! Dominamos tudo isto - e fez um gesto com o braço abrangendo toda a água do lago - e ainda assim vocês fracassam!
Não era o dono do lago, mas sua prepotência o fazia pensar que era, pensou Maria.
- Meu nome ecoa pelas águas! - gritou. - De Betsaida a Susita, de Tiberíades a Gergesa! O nome de Zebedeu de Betsaida é famoso até em Jerusalém!
- É verdade, e eu também sou conhecido! - revidou o filho mais forte. - O nome de Tiago também já é famoso!
- Não, não é, e é pouco provável que o venha a ser! - retrucou seu pai.
De novo, Jesus afastou-se de seu grupo e caminhou em direção à água, ficando em cima das pedras que beiravam o lago.
- Amigos - disse, dirigindo-se aos homens no barco. - Remem um pouco mais para lá e joguem suas redes.
- Mas nós pescamos a noite toda e não trouxemos nada - disse o irmão mais forte. - E agora já se passaram as melhores horas para pescar.
- Reme um pouco mais e joguem as redes - repetiu Jesus.
Abobalhado, Zebedeu apenas olhava para Jesus, sem compreender coisa alguma.
- Não lhe dêem atenção - ordenou, por fim, a seus filhos. - Você tem razão, as horas de pescaria já se acabaram por hoje.
Irritado, o rapaz grande voltou-se e, olhando para seu pai com ar de debochado, começou a remar para fora.
Jesus e seus companheiros ficaram esperando, enquanto o barco, chegando ao meio do lago, parou e os rapazes jogaram as redes.
Zebedeu aproximou-se de Jesus para desafiá-lo, mas com Jesus não respondesse às suas perguntas, voltou a tomar seu posto à beira do lago.
Veio um grito do meio do lago.
– As redes! As redes estão rasgando! Socorro! Socorro!
– Os rapazes esforçavam-se para puxar as redes para o barco, ma elas estavam tão cheias de peixe que ameaçavam rasgar-se.
- Vá lá! – gritou Zebedeu, mandando outro de seus barcos ir ajudar seus filhos. Pouco depois, os dois barcos dirigiram-se para terra, mas moviam-se bem devagar devido ao peso da pescaria. Quando vinham chegando, o peso da carga os fez começarem a afundar. Zebedeu pulou para dentro d’água e foi ajudar a trazer as redes para a margem do lago. Os barcos adernavam co o peso. As redes estavam completamente cheias.
Em sua alegria, Zebedeu quase pulava. Já fazia cálculos do lucro que aquela extraordinária pescaria lhe traria. – Que beleza! Que bom!
Jesus observava tranqüilamente enquanto o pai e os filhos se deliciavam com sua sorte.
Só quando Jesus os conduziu, com Zebedeu ainda gritando lá trás, é que viram os outros.
- Diretamente para a mesa do Caiaphas – disse Zebedeu, satisfeito.
– Isso mesmo, este peixe irá para a mesa do próprio sumo sacerdote! E meu nome ecoará nos bairros mais ricos de Jerusalém!
- Lembre-se de citar os nossos nomes na entrega – disse o filho mais magro e bonito. – Fomos nós que pegamos os peixes.
- Não, está tudo em meu nome, em nome da empresa – disse Zebedeu.
– Como, aliás, sempre esteve. Uma única pescaria não lhes dá o direito de reivindicar a autoria.
- Na verdade, o nome dele é que deveria ser citado com o seu. Foi ele que nos disse onde deveríamos ir – disse o rapaz forte, notando a presença de Jesus.
– Como é seu nome, amigo?
- Jesus. De Nazaré. E os seus?
- Sou Tiago – disse o rapaz grande.
- E eu sou João – disse o irmão.
- Vocês são os Boanerges, filhos do trovão – disse Jesus.
– Sigam-me, filhos do trovão, e farei com que seus nomes sejam conhecidos para além deste lago. Quem me seguir, verá seus nomes perdurar para além dos dias de hoje e dos anos que ainda viram.
- E Caiaphas? Você o conhece? Seremos reconhecidos por ele se mudarmos da empresa de nosso pai para a sua? – perguntou João. Jesus riu.
– Caiaphas. Quando ninguém mais se lembrar de Caiaphas, vossos nomes ainda serão conhecidos. Para dizer a verdade, Caiaphas só terá seu nome lembrado por nossa causa.
- Ele é louco – disse Zebedeu. – Olhem aqui, filhos. Talvez eu esteja exagerando. Passarei a dar-lhes uma participação maior nas pescarias de agora em diante. Quanto a ele.
- Sigam-me – disse Jesus. – E eu os farei pescadores de homens. Não irão pescar no lago, ma nos vilarejos. E ao invés de lhes trazerem a morte, trarão a vida.
-Não dêem ouvidos a ele! – ordenou Zebedeu. Tiago e João ficaram parados, por um momento, junto às redes e ao barco. Então, calmamente, Tiago prendeu a rede do barco e veio caminhando para a terra pela água. - Eu vou – disse.
- E eu também – disse João, seguindo o irmão.
- Parem! – gritou Zebedeu.
Só quando Jesus os conduziu, com Zebedeu ainda gritando lá atrás, é que viram os outros.
- Simão! - disse Tiago. - Você também vai com ele?
- Vou – respondeu ele.
- Mas tenho outro nome. Ele me chama de Pedro, como chamou vocês de Boanerges, filhos do Trovão.
- Ele muda os nomes de todos? – perguntou Tiago.
- Não – respondeu Pedro. – André e Maria ainda esperam novos nomes.
Tiago e João espantaram-se. – Uma mulher? – murmuraram.
- Sim – disse Jesus. – E haverá outras. Ela foi a primeira.
- Mas ela é uma mulher casada.
Onde está seu marido?
Como lhe permite que saia assim sozinha em liberdade? – perguntou João.
- No novo Reino, todos serão livres – disse Jesus.
– Nenhuma pessoa possuirá outra pessoa.
Todos pertencerão somente a Deus. E este é o começo do novo Reino.

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