chama violeta  Pager
07.20.02
   
 

 
 
A palavra religião popularmente expressa religare, ou seja tornar a ligar, Literalmente significa União com o Pai, ou Ligação ao Universo.
Em suma... O adjetivo "religioso"vem do substantivo "Religião". A Palavra "Religião" vem do latim religio. Não há uma unanimidade em referência à etimologia dessa palavra, porém segundo Lactâncio, escritor cristão falecido em 330 d.C, religio viria do verbo "Religare", que significa ligar de novo, estabelecer novo laço, relacionamento. Religião seria, nesse sentido, a atitude de piedade e devocão que religa, une de novo os homens a Deus.
Em uma linguagem mais apurada religare traduz a fissão do Microcosmo Homem ao Macrocosmo Universo, e nada tem a ver com reuniões templárias, que denotam apenas o agrupamento de indivíduos com o mesmo vínculo de afinidades psicológicas.
O que não implica no fato de que uma atitude de louvor, seja uma característica psico-espiritual deveras louvável.

Segundo o pensamento de Einstein; "A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a Teologia. Abrangendo os terrenos material e espiritual, essa religião será baseada num certo sentido religioso procedente da experiência de todas as coisas, naturais e espirituais, como uma unidade expressiva ou como a expressão de uma Unidade...";Einstein continua: "Aceito o mesmo Deus que Spinoza chama de Alma do Universo. Não aceito um Deus que se preocupe com as nossas necessidades pessoais.", e ainda segundo o mesmo cientista... "O característico do homem religioso consiste no fato de se ter libertado das algemas do seu egoísmo, construindo, por seu modo de pensar, sentir e agir, um mundo de valores supra-personais, aprofundando e ampliando cada vez mais o seu impacto sobre a vida."

Filosofias repletas de linguagem com sentido figurado podem gerar imagens metafóricas poderosíssimas no inconsciente coletivo.
Como parte integrante das massas, cabe a cada indivíduo o trabalho sobre si mesmo, pois só assim a resultante algébrica de nós mesmos, ou seja, a coletividade em si, poderá concretizar o paraíso terrestre reflexo do reino dos céus que se encontra no íntimo do próprio ser.
Se a humanidade concluísse terminar unicamente em pó, daria esta continuidade às boas obras, motivadas apenas pela compaixão, ou adentraria em rumo unicamente às satisfações pessoais?
Einstein, citou: "...Não posso fazer idéia de um ser que sobreviva após a morte do corpo. Se semelhantes idéias germinam em um espírito, para mim é ele um fraco, medroso e estupidamente egoísta". Podemos crer que Einstein entendia a necessidade da urgência em o indivíduo, a soma algébrica da coletividade, em rebelar-se contra sua própria natureza inferior não deixando o comodismo deixar a auto-disciplina para uma próxima vida
Os mitos e crendices elaborados pelo próprio homem para o seu pensamento ético e sobrevivência resultaram na história humana.
Lendas e tradições da antiguidade, com pequenas variações, podem ainda ser encontradas em doutrinas de conteúdo infantil que se abstém de encontrar a representação real e profunda do significado da vida, cujo fanatismo, que não deixa de ser um argueiro nos olhos, rejeitam os que procuram o nível adulto da razão.
O fanatismo é uma trave nos olhos da sabedoria, dele surgem as diferenças ideológicas e os conflitos.
O fanatismo é uma trave nos olhos da humanidade, na crença de ser um escolhido, um iluminado ou chegar ao seu grau máximo de crer-se um Deus, fechando o indivíduo em seus próprios dogmas, crendo que somente sua religião é a verdadeira na acusação de ardis demoníacos e, falsas profecias no tocante às outras, induzindo seu campo mental à imagem de iníquo qualquer outro que não pertença à sua mesma ordem, denominando traidores aqueles que lhe abandonam o templo, o indivíduo fanatizado não busca conhecimento em outras formas religiosas, não coloca o ensinamento alheio no crivo da razão, esconde-se sob o pretexto de que fora manipulado tudo que não lhe abra as portas ao próprio ponto de vista, exterioriza suas próprias imagens arquetípicas prestando-lhes culto, muitas vezes por ser impedido de saber e compelido apenas a crer, tornando-se um incomodo, procurando incessantemente fisgar o discípulo de outro sistema à sua própria seita, o tornando principal responsável pela discórdia entre as religiões e conduzindo o semelhante ao mesmo grau de fanatismo ao qual denomina evangelização.

Encontrando-se na infantilidade de crer em uma salvação exterior à própria conduta, os indivíduos fanatizados esquecem-se da própria auto-realização psico-espiritual esperando a vinda de um reino dos céus, esquecendo-se de tornar a Terra um paraíso de acordo com suas obras conscientes, crendo-se detentores da verdade, não se rendem à mão acolhedora do conselheiro, confundindo sua própria paranormalidade, quando não o próprio surto psicótico como dons divinos. Com suas diferenças ideológicas derramam o sangue humano em nome da honra de seu deus particular, como já fora evidenciado no decorrer da história humana. Enquanto perde seu tempo, o homem concreto busca a auto-realização.
A violência irrompe em conseqüência das forças salvacionistas, devido a isso o homem ainda necessita do mito de salvação pela fé para acalmar-lhe os conteúdos psicológicos, desviando-se assim das infrações morais que poderia cometer. Sem dúvida baseia-se o mito e crendices atuais em uma astuciosidade sacerdotal para a contenção da natureza animal das massas, porem o superego aprisiona para o id. desejos que um dia acabam aflorando em formas doentias de expressão.
Descrer da existência da divindade, da perpetuação do espírito e dimensões de aperfeiçoamentos, benesses ou tormentos, e, basear sua fé lógica nas comprovações psicológicas e científicas que tenta chegar a Causalidade Universal, não deve ser visto como um equívoco do psiquismo de nossa raça, mas como uma batalha ideológica que conduz à um progresso na esfera do entendimento humano, ou, como diria Freud: "Nossa ciência não é uma ilusão. Ilusão seria imaginar que aquilo que a ciência não nos pode dar, podemos conseguir em outro lugar”.
A ciência não deve ser condenada pela religião, pois se torna uma alavanca poderosa para o progresso lógico e não mítico despindo a religião de seus sentidos figurativos e metafóricos, elevando-o ao verdadeiro grau de autoconhecimento, livrando a mente humana da infantilidade do fanatismo em busca de salvações exteriores e desmantelando os ritos em confrontação com a lógica da lei natural de causas e efeitos e aquisição de uma consciência ética e moral mais elevada, através da experiência com os fenômenos da vida, visando um amadurecimento psicológico concreto. Os opostos nos mitos de todas os povos formaram a natureza de suas crenças e conseqüentemente de seus conteúdos psíquicos geradores de consciência.
A incerteza tornou-se uma alavanca para o progresso, buscando na experiência o amadurecimento da personalidade, enquanto por sua vez, a certeza causa a cessação de motivos sempre renovadores e facultantes de uma ampliação lógica no tocante ao conhecimento do próprio ser e da vida.
O equilíbrio humano e social está vinculado a um mito central no qual afloram os valores éticos que tornam-se o alicerce de suas atividades e equilíbrio, e, uma vez que algo interfira no mito, desacreditando-o, o homem encontra o caos e a agressão, passado o declínio, surge outro mito criativo que lhe complete ou assuma o lugar.
Atualmente o homem tornou-se carente de um mito único, que aglutine todas as mentes, confortando-as e derramando-lhes bênçãos.
A perda total do mito altera as necessidades psicológicas, causando um afloramento da natureza humana, mergulhando o indivíduo, ora no desinteresse ou vazio, ora na própria satisfação egóica.
Isso pelo homem não viver em estado de "renúncia sem frustração", o desapego de qualquer recompensa.
A descrença na divindade e em seus reinos quânticos de despejo da alma após o desenlace físico, e a correta tradução de seu mito para os graus de consciência, interiorizando Deus no âmago humano e traduzindo tais reinos quânticos em estados psicológicos provenientes do próprio caráter e conduta psicológica, poderia extirpar o desejo da mente, conduzindo o homem a concretizar momentos de felicidade no pequeno limiar de sua existência perante a eternidade, renunciando assim, o ser humano, à busca desenfreada do paraíso ou fuga do inferno, e conduzindo-o à uma realidade mais concreta, onde, como parte integrante das massas conduziria seus desejos de forma à concretizações úteis para a sociedade à qual está vinculado.
O desejo implica na vontade, essa denota os atos, esses por sua vez os efeitos, assim sendo, conforme o desejo assim será o destino. A falta total de desejos implicaria em um estado de renúncia ao mundo dos fenômenos da existência física. Ao abandonarmos as inseguranças relacionadas aos nossos eventos psico-interiores e denotativas nos eventos exteriores, podemos encher-nos de objetivos firmes, cuja meta única, mesmo que improváveis pela lógica, torne-nos um determinante em meio as massas tornando causas nossos pensamentos e coletores dos efeitos de praticidade construtiva, revitalizando assim nosso poder de decisão e tornando-o inabalável ante os confrontos com as dificuldades da vida, sem que empreguemos sobre nós ou nosso semelhante, métodos influenciantes de característica intelectual e psíquica deixando assim fluir o desenvolvimento da personalidade independente.
O conhecimento latente no âmago humano deve ter precedentes em suas próprias experiências diretas acumuladas, forçando-o a ver de maneira lógica e científica as diversas leis que vem em direção à causa aplicada no mundo dos fenômenos existenciais através de pensamentos, sentimentos e vontades, antecessores da ação.
Resta desviar-se o homem da cegueira sectária e da infantilidade das crendices, abandonando todos os paliativos para a fé e o intermédio hierárquico da igreja que não lhe abre a percepção para novas idéias e desmistificações, apegando-se unicamente à Verdade, fruto da experimentação e não da cegueira das tradições transmitidas ou poder da própria imaginação, lembrando-se de encarar o Amor e a Sabedoria em seu âmago de forma que sua força interior seja a alavanca para uma ascensão íntima motivada pela compaixão e em total estado de renúncia, de forma que as obras humanas mergulhadas em seus pensamentos e sentimentos mais sublimes tornem o indivíduo capaz de chegar ao religare, o Verdadeiro, o Emocional-Intelectual Superior Humano, aquele que transcende nomes próprios, está além da projeção da personalidade e se encontra presente no âmago de toda a criação, não importando a crença à qual se apeguem.

© 2006 Liberté - Egalité - Fraternité
                 Sintonia Saint Germain
 

Ah! Pode ficar tranquilo, que eu sei que "...mas não é bem assim".

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