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meditação, e graças a anotações pouco conhecidas mas muito inspiradoras de H. P. Blavatsky foi possível levantar uma boa parte do véu que esconde a mensagem iluminadora de Pistis Sophia. .
O texto é dividido em três cenários principais. No primeiro, Jesus está com seus discípulos, após sua ressurreição, no Monte das Oliveiras e, depois de algum tempo, em meio a trovões e relâmpagos, ele é elevado ao alto em meio de uma intensa luz ofuscante. Depois de trinta horas, Jesus retorna, envolto em três vestes de luz, com um brilho mais intenso do que quando ele havia ascendido. Em aparente confirmação da alta iniciação que lhe havia sido conferida, ele dirige-se aos discípulos, anunciando que, "A partir deste dia, vou falar-vos abertamente, desde o princípio da Verdade até o seu término (Plenitude); e vou falar, face a face, sem (usar) parábolas. A partir deste momento não vos esconderei nada do (mistério) do alto e do lugar da Verdade. Pois, autoridade me foi dada, por intermédio do Inefável e do Primeiro Mistério de todos os mistérios, para falar-vos, desde o Princípio até a Plenitude (Pleroma), tanto de dentro para fora como do exterior para o interior. Ouvi, portanto, para que vos possa dizer todas as coisas." (cap. 6).
Os dois outros cenários do texto são a narrativa da história de Pistis Sophia e instruções adicionais aos discípulos na forma usual de diálogos. Uma imensa riqueza de informações é oferecida, incluindo a interpretação esotérica de diversas parábolas e ditados públicos de Jesus, bem como a natureza dos mistérios.
Após seu retorno do Alto, Jesus descreve aos discípulos as hierarquias dos vários planos pelos quais passou a caminho do Alto. Depois de diversos incidentes com as entidades destes planos Jesus encontra Pistis Sophia (Primeira -Sabedoria; Poder-Sabedoria; Sabedoria da Fé) abaixo do décimo terceiro Aeon, seu lugar de origem. Ela estava sozinha, sem seu par e seus irmãos, triste e chorosa devido aos tormentos que o Autocentrado lhe havia infligido com a ajuda de suas emanações e dos doze Aeons.
Pistis Sophia estava inicialmente no Décimo Terceiro AEon com seus vinte e três irmãos e irmãs. Quando ela viu a Luz do Alto no véu do Tesouro de Luz, começou a cantar louvores àquela luz. A partir daquele momento, o Terceiro Poder Tríplice, que é o Autocentrado, passou a odiá-la, no que foi seguido pelos doze que estão abaixo. O Autocentrado concebeu uma armadilha para ela, emanando de si mesmo um poder com a aparência de leão e uma hoste de outras emanações materiais violentas enviando-as para as regiões abaixo. Pistis Sophia foi então levada a olhar para baixo, vendo a luz do poder com cara de leão. Sem saber que ele era uma emanação do Autocentrado, ela decidiu ir atrás dele, sem seu par, para se apoderar de sua luz, pensando que esta luz a possibilitaria ir à Luz do Alto. Tendo descido de seu lugar de origem, ela foi levada cada vez mais baixo para o Caos, com as emanações do Autocentrado e dos doze AEons perseguindo-a constantemente, atormentando-a e retirando a sua luz. Quando ela finalmente viu Jesus rodeado de luz, clamou à Luz das Luzes e proclamou uma série de arrependimentos.
Os arrependimentos de Pistis Sophia são a chave para a sua salvação final. Nestes treze arrependimentos seguidos por onze canções de louvor à luz, ela conta a sua estória e reitera sua fé na luz e o anseio de ser livre das aflições no Caos e de voltar ao seu lugar de origem.
Pistis Sophia representa a alma, ou mais especificamente, a parte da alma que encarna, a parte da mente concreta que é a unidade de consciência do homem. Pistis é a palavra grega para 'Fé'. Não a fé cega, mas a fé que surge com a total convicção do conhecimento interior. Sophia é 'Sabedoria' em grego. Assim, seu nome composto indica o princípio fundamental (fé na Luz do Alto - um aspecto de Deus) que a capacita a realizar sua missão, ou seja, o desenvolvimento da sabedoria em ambos os mundos (material e espiritual).
Seu par é Jesus, um símbolo para a natureza tríplice do Eu Superior, que permanece nas regiões do Alto, quando Sophia desce ao Caos. Esta é uma das partes que oferece maior dificuldade para ao leitor, em virtude de nosso condicionamento mental com relação ao papel de Jesus na ortodoxia cristã. No texto temos o termo 'Jesus' um momento representando o Mestre instruindo seus discípulos e, no momento seguinte, representando um dos três aspectos da natureza superior do homem: a mente concreta não conspurcada (o par de Sophia), a mente abstrata (o Salvador) e princípio Búdico ou intuição, também chamado de Cristo interior (o Primeiro Mistério Voltado para Fora).
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