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A Passagem de Jesus por Betsaida.

Durante a festa dos Tabernáculos, todos os israelitas abandonavam seus lares durante sete dias e moravam ao ar livre, em “tendas” feitas de folhas de palmeiras e galhos de salgueiros, relembrando os tempos em que seus ancestrais tinham vivido em tendas, no deserto, com Moisés.
Era uma festa alegre que ocorria por ocasião do final da colheita da azeitona e da tâmara, um pouco antes do início das chuvas de inverno.
A partir das instruções simples deixadas por Moisés, os estudiosos tinham definido com precisão como eram as estruturas das tendas.
Tinham que ser desmontáveis e temporárias. Tinham que medir 13,20 m por 2 m de altura.
Tinham que ter um mínimo de três lados e permitir ver a paisagem do céu e da estrelas.
Os móveis dentro das tendas tinham que ser da maior simplicidade possível e os participantes tinham que viver naqueles abrigos durante todos os sete dias, a menos que ocorressem chuvas muito fortes.
No interior das tendas, a decoração seria unicamente de folhas e frutas.
Maria de Madalena, Joana, mulher de Chuza mordomo de Herodes Antipas, Felipe, Mateus (ex-Levi, o coletor de impostos), seu irmão Tiago o Menor, Judas, Tomé, João, e seu irmão Tiago o Maior, André e seu irmão Pedro (ex-Simão), Natanael, Susana, que havia se juntado a eles em Corazim, Tadeu, que se juntou a eles quando chegaram a Betsaida para encontrar os outros, e Maria a mãe de Jesus.
Após terem construído sua tenda, feito sua prece, ceado, foram todos passear pelo campo, pois afinal, todos estavam em festa. Pouco a pouco, o barulho da festa foi diminuindo.
Os pais chamavam seus filhos para dormir e fechavam as portas rudimentares de suas tendas.
Dormir naquelas tendas também era uma diversão. Na tenda que tinham construído, havia espaço para todos se deitarem e ainda podiam ver o céu, de suas esteiras.
- Pensem em nossos antepassados, no deserto – disse Jesus, quando todos se haviam acomodado. Sua voz era suave, parecia que estava com sono.
– No Egito, tinham sido escravos e estavam habituados a morar em casas de adobe, com os tetos baixos, onde caíam de cansaço, exaustos após um dia de trabalho.
Então, de repente, foram para o deserto, onde não havia casas.
É verdade que também não havia escravos.
Mas era tudo vazio, exceto pela presença de Deus. No deserto, também era frio, embora aqui não fosse.
Deus sabia que, no futuro, as pessoas iriam esquecer sua jornada no deserto com Moisés.
Deus partilhara seu tempo conosco, permitindo que lhe pertencêssemos.
Mas sabia que logo iríamos esquecer. Por isso criou esta festa.
E por isso voltamos a lembrar, ano após ano. Devemos voltar de novo para o deserto, onde ficaremos sozinhos com Deus.
Então finalmente Maria adormeceu.
Durante o dia, Jesus passeou ente as tendas, conversando com as famílias, em especial os mais idosos e as crianças, que não sentiam timidez em falar com ele.
Parecia gostar de sua candura. Os mais velhos reclamavam e xingavam os romanos, enquanto as crianças lhe perguntavam se tinha filhos e, caso não os tivesse, por quê.
Atrás dele, os discípulos observavam seu comportamento.
- Talvez devêssemos ter falado com mais pessoas em nossa missão – disse João a Maria, em tom preocupado. – E talvez devêssemos ter ouvido mais.
Pedro tomara a dianteira do grupo e tentava chamar a atenção de Jesus.
Ele é sempre tão enxerido, pensou Maria.
Ouviu–o dizendo algo sobre mandar as crianças embora, pois certamente estavam aborrecendo Jesus.
Chegou a tentar empurrar uma delas. Então ela ouviu Jesus repreendê-lo e dizer-lhe:
- O reino de Deus é como estas crianças. Deixe que venham a mim!
– E, aproximando-se de um menino, balançou-o, e ele dava gritos de satisfação.

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