Yesod 
Fundação

Yesod, ou Fundamento, situa-se como um grande reservatório abaixo das oito Sefirats das quais falamos anteriormente. Todas as Sefirats acima emanam sua inteligência e seus atributos para o vasto vasilhame de Yesod, onde são misturados, equilibrados e preparados para transferência em um esplendor tão radiante, que nenhum mortal poderia sobreviver em sua presença.

O canal para nos conectar com Yesod é Joseph, e no corpo humano essa Sefirat está relacionada aos órgãos sexuais. Metaforicamente falando, Yesod é como uma betoneira, aquele caminhão de cimento, que junta água, areia e todos os componentes em sua forma bruta, os mistura e verte uma mistura úmida que, finalmente, endurecerá e se solidificará como cimento, que é o nosso universo físico, conhecido como Malkuth.

Yesod é o plano sutil, o plano Astral que serve de base ao mundo físico. É chamado também de plano lunar. A Lua recebe a luz do Sol que, por sua vez, é representado pela séfira de Tiphereth que se localiza logo acima de Yesod. Essa imagem da Lua que é atribuída a Yesod é essencialmente fluida e com fluxos e refluxos que governam o Elemento Água. Um dos conceitos adequados para Yesod é que a idéia dessas águas fluídas do caos se reúnem e se organizam por meio de representações que foram desenhadas em Hod . Portanto, Yesod participa tanto da natureza da Mente ( Hod ) quanto da Matéria ( Malcuth ).

Mas nada podemos explicar separado do todo. Temos que nos relacionar com algo maior. O quinto elemento, o éter é atribuído a esta séfira. E aí voltamos ao Princípio das Correspondências: tudo aquilo que é manifestação como fenômeno físico, tem a sua contrapartida no Imanifesto. Assim como a Árvore tem o seu Imanifesto na Tríade de Ain, Ain Soph, Ain Soph Or. Ou, como dizia Platão, cada forma concreta tem uma correspondência no Mundo Arquetípico das Idéias. Devemos conceber Yesod como o receptáculo das emanações de todas as outras séfiras e o mais próximo e imediato transmissor dessas emanações à Malcuth. Por este motivo, à Yesod é atribuído o campo das Emoções. Yesod é a base das nossas origens, a família a que pertencemos, nossa memória e o passado. Não só o passado dessa vida, como também das memórias anteriores, chamado de memória akashica. É também a área da fantasia e da imaginação. Representa a Fundação, a Fecundação, o Alicerce e o Ego. É nesta séfira que se localiza o Depósito das Imagens.

Todas as deusas lunares fazem parte da Mitologia atribuída a Yesod: Diana, a caçadora, Selene, Cibele, e também Hécate, que é a relacionada aos recônditos da alma humana. Para os celtas, Yesod, sendo o receptáculo, é a Taça, o Santo Graal. É a Durga para os hindus. Nas imagens cristãs, são as Madonas representadas com as luas aos pés.

Na Astrologia Tradicional, é o satélite da Terra, a Lua, responsável pela Alma, pelas emoções e pelas origens. Na Astrologia Esotérica, a Lua é regente de Peixes, pela sua associação com os fluxos e refluxos das marés.

Correspondências

Símbolo : O Cálice
Imagem Mágica : Um forte e belo homem nu
Figura Arcangélica : Gabriel
Experiência Espiritual : A visão do mecanismo do Universo.
Nome Divino : Shaddai El Hay
Chakra : Esplênico
Atributo : Estabilidade Emocional
Vício: Ociosidade
Nota Musical: Mi
No Reino Mineral : a Prata ( Metal ) e a Pérola ( Pedra )
No Reino Vegetal : Jasmim, Lírio e Gingseng
No Reino Animal : Lebre
Quanto aos corpos : Corpo Astral ou campo das Emoções.
Parte do corpo físico : Aparelho genital masculino e feminino
Número : 9

Lâminas do Tarot :
Nove de Paus : Grande Força
Nove de Copas : Felicidade
Nove de Espadas : Desespero e Crueldade
Nove de Ouros : Ganho Material

Cores nos 4 Mundos :
Aziluth : Índigo
Briah : Violeta
Yetzirath : Púrpura
Assiah : Citrino salpicado de Azul

Palavras Finais
YESOD – O Fundamento
"O Nono Caminho é Chamado a Inteligência Pura, porque purifica as Emanações, prova e corrige o desenho de suas representações, e dispõe da unidade com a qual estão desenhadas sem diminuição ou divisão."- Sepher Yetzirah
"Tudo voltará do Fundamento de onde surgiu. Toda medula, semente e energia reúnem-se neste lugar. Daqui surgem todas aspotencialidades que existem." - Zohar
Assim como uma casa tem toda uma extrutura "invisível" de funcionamento (fiação elétrico-telefônica, encanamento, calefação, etc.), o mundo - Malkhut - também tem uma maquinaria oculta de funcionamento. Faz-se interessante notar que a Experiência Espiritual de Yesod é chamada de "A visão da Maquinaria do Universo". Assim, Yesod é geralmente traduzido como Alicerce/Fundação, sendo que um dos motivos disso seja a sua localização na Árvore Sefirótica, logo acima da última sefirá, Malkhut. Como o Alicerce do mundo, Yesod é também descrito como uma "pedra" vinda do celestial Trono de Glória (Tiferet) de Deus:
Soncino Zohar, Shemoth, seção 2, pg 222a – "Observe", ele disse, "que quando Aquele que é Santo, abençoado seja Ele, estava para criar o mundo, Ele retirou uma pedra preciosa debaixo de Seu Trono de Glória e o irrompeu no Abismo. (...) Aquele núcleo, aquela pedra, é chamada sh’thyiah (fundação), e foi o ponto de partida do mundo. O nome sh’thyiah, ademais, é uma palavra composta de "shath" (fundado/alicerçado) e "kah" (Deus), significando que Aquele que é Santo, abençoado seja Ele, fez do mesmo a fundação e o ponto de partida do mundo, assim como tudo que existe."
Essa "pedra de fundação" também é chamada de "pilar", que conecta o reino terrestre ao celeste. O Bahir oferece o seguinte insight, conectando o pilar à Tzaddk e afirmando que a medida da bênção de Deus é proporcional à Retidão existente no mundo:
Bahir 102 – Nós aprendemos: existe um pilar que se estende do céu à terra, e seu nome é Retidão (Tzaddik). Enquanto existir pessoas que vivam com Retidão ("ish tzaddik"), então o pilar fortalecer-se-á, caso contrário, enfraquecer-se-á. (...) Como está escrito: "Aquele que vive com Retidão é o Alicerce do mundo".
Aquele que procurou, primeiramente, o Reino – Malkhut, associado à humildade – então, a Retidão torna-se o próximo passo para que haja um relacionamento mais intenso com Deus. O caminho que leva (de Malkhut) à Yesod é chamado de Tzaddik. Como disse Aryeh Kaplan em seu comentário ao Bahir:
"Aqui novamente, ‘céu’ refere-se ao Zer Anpin, enquanto que ‘terra’ à Malkhut. Mas em um sentido mais geral, ‘terra’ é o mundo físico, enquanto que ‘céu’ é o transcendental. Em todo caso, aquele que deseja ascender às alturas deve sempre fazer a viagem de Malkhut à Yesod."
Do ponto de vista hermético, Yesod pode ser concebido como o "Receptáculo das Emanações", pois redireciona as emanações dos três Pilares até Malkhut, e é através de Yesod que a derradeira forma abstrata é transformada em matéria. Entretanto, a forma em Yesod não é puramente abstrata, sendo um estado intermediário entre o abstrato e o concreto, algo como a fôrma onde o abstrato tomará forma.
Destarte, está intimamente relacionado à Luz Astral, mais especificamente ao Baixo Astral, sendo que a sefirá é simbolicamente representada por Levanah, a lua, o inconsciente. Os quatro elementos no domínio de Malkhut estão alicerçados num quinto elemento, o éter. Segundo Eliphas Lévi:
"Existe um agente que é natural e divino, material e espiritual, um mediador plástico universal, um receptáculo comum das vibrações cinéticas e das imagens das formas, um fluido e uma força, que podem ser chamados de certo modo de Imaginação da Natureza... A existência dessa força é o grande arcano da magia prática."
E também:
"Esse fluido ambiente e que tudo penetra, esse raio destacado do esplendor do sol e fixado pelo peso da atmosfera e pelo poder de atração central, esse corpo do Espírito Santo, que chamamos de luz astral e agente universal, esse éter eletromagnético, esse calórico vital e luminoso é representado nos antigos monumentos pelo cinto de Ísis que se enlaça num nó cego ao redor de duas varas, pela serpente de cabeça taurina, pela serpente de cabeça de bode ou de cão, nas antigas teogonias pela serpente que devora a própria cauda, emblema da prudência e de Saturno. É o dragão alado de Medéia, a serpente dupla do caduceu e o tentador do Gênese; mas é também a cobra brônzea de Moisés que circunda o tao, isto é, o lingam gerador; é a hyle dos gnósticos e a cauda dupla que forma as pernas do galo solar de Abraxos."
A forma mais densa da Luz Astral aí se encontra, pois está em fase de "coagulação". Essa também é a região do psiquismo, da impulsividade, do ego, das emoções, das larvas astrais, de todo tipo de meleca astral, estando tudo isso relacionado à Nefesh. Yesod é a Sefirá do Homem Impulsivo, do Atavismo.
A nova sefirá (Yesod) é, por excelência, a ponte de ligação entre a matéria e a mente, sendo ela associada à emoção. Tem como função a conexão e a comunicação com outras realidades. Há de se fazer uma ressalva a esta sefirá: mesmo sendo o plano de entrada para regiões mais sutis, ela pode revelar ao indivíduo senão ilusão, posto que também é aí que se encontra Maya. O turbilhão astral confunde o incauto com imagens astrais, criadas, inconscientemente, a partir do psiquismo do mesmo.
A Virtude de Yesod é a Independência, que dá ao homem a capacidade de criar suas proprias fundações e, assim, poder reconstruir-se constantemente.
O Vício de Yesod é o Ócio, estando isso ligado à Maya, a Ilusão, a reconfortante Ilusão.

Alguns atributos:
Nome de Deus (Atziluth) : Shaddai El Chai (Deus todo Poderoso)
Arcanjo (Bryiah): Gabriel, homem forte de Deus
Ordem de Anjos (Yetzirah): Querubim, os fortes
Símbolo Mundano; Levanah, a Lua
Cor em Atziluth: Indigo
Cor em Briah: Violeta
Cor em Yetzirah: Púrpura escuro
Cor em Assiah: Limão, mosqueado de azul
Imagem Mágica: Um belo homem nu,muito forte
Virtude: Independência
Títulos: Acasa do Tesouro das Imagens
Experiência Espiritual: Visão da Maquinária do universo
Vício: Ociosidade

 

 

VOLTE A SAGRADA ÁRVORE SEPHIROTS

VOLTE AO EU SOU O QUE EU SOU