A separação dos quatro apegos de Sakya Pandita Kunga Gyaltsen


Aos pés do Guru eu me prosterno! Geralmente, quando se obtém um corpo disponível e a fortuna, e quando se encontra o precioso Ensinamento do Buddha nasce a mente não-fabricada com o objetivo de praticar o inconfundível Sagrado Dharma; aí deve-se praticar a "Separação dos Quatro Apegos". Se você pergunta o que é isso, digo: não apego a esta vida; não apego ao ciclo da existência; não apego ao seu próprio interesse; não apego aos fenômenos e características.


Para entender melhor, veja: esta vida é como uma bolha de água e a hora da morte é indefinida; a vida não é digna de apego.


O ciclo da existência é como um venenoso fruto; aparentemente é delicioso, mas realmente causa dano; ter apego a isto é uma ilusão.


O apego ao próprio interesse é como criar o filho do inimigo; ainda que aparentemente ele possa parecer alegre, eventualmente ele vai nos causar muito dano no futuro; ainda que aparentemente possamos estar felizes no apego ao nosso próprio interesse, isso certamente vai-nos levar a um renascimento ruim.


Apego manifesto aos fenômenos e característica é como agarrar-se a uma miragem de água [no deserto]; ainda que ela tenha a aparência de água, nada existe ali de substancial para ser bebido. Esta existência que aparece a uma mente iludida quando examinada com sabedoria não tem nenhuma entidade que a fundamente; o sábio não deixa a mente fixar-se no passado, nem fixar-se no futuro, nem fixar-se na consciência do presente; sabe que todos os dharmas estão livres de elaboração.


Praticando assim, com não apego a esta mesma vida não existirá mau renascimento; com não apego à existência cíclica, não haverá nascimento na existência; com não apego aos seus próprios interesses, não haverá nascimento como shrávaka ou pratyekabuddha;[budas-para-si] com não apego aos fenômenos e características, rapidamente se manifestará a Completa Perfeição.


(Estas instruções sobre a "Separação dos Quatro Apegos", o inconfundível coração da intenção de Pal Sakyapa Chenpo, foi escrita por Sakya Pandita, 1182-1251).



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