Viagens Tântricas
Choying
Rangdrol era um mestre iluminado que não possuía bens mundanos. Dia e noite ele sentava
numa almofada de meditação, vestindo somente uma pele solta de ovelha.Sem educação
formal, ele havia atravessado o caminho do despertar. "Os iogues não querem e não
precisam de nada além da natureza imutável do autêntico ser," ele cantava.


Um dia Patrul Rinpoche que recebeu extensivos ensinamentos de
Choying Rangdrol estava sentado com o mestre de meditação, quando este perguntou,
"Aliás, o que anda fazendo ultimamente Mingyur Dorje do Mosteiro Dzogchen?"
Patrul Rinpoche deu algumas notícias, Choying Rangdro lembrou, "Estes
caras do Dzogchen não tratam Mingyur Dorje do jeito que deviam. Se conhecessem sua real
identidade, seria diferente. Um verdadeiro Siddha raramente revela todas suas qualidades
intrínsecas."
Mais tarde, sem razão aparente, Choying Rangdrol disse, "Durante as
grandes reuniões no Mosteiro Dzogchen, Mingyur Dorje senta num trono alto, não longe da
porta, de frente para o centro; isto é meio esquisito, não é? O trono do professor
costumava ser perto do altar."
Então ele continuou lembrando vários costumes e personagens do Mosteiro
Dzogchen.
Por toda a conversa, Patrul Rinpoche que havia estudado em Dzogchen
concordava inclinando a cabeça, aparentemente compartilhando das reminiscências do
mestre de meditação. Um jovem neófito, Pema Dorje, que estava presente (e que mais
tarde tornou-se o principal khenpo [abade] do Mosteiro Dzogchen) pensou, "Como pode
este lama analfabeto saber tanto sobre nosso mosteiro? Ele deve ter estado por lá durante
sua juventude."
Finalmente o curioso rapaz perguntou ao mestre de meditação,
"Venerável lama, tens ido ao Mosteiro Dzogchen?""Poderias dizer que
sim," o mestre respondeu.
"Quando?"
"Todo ano eles realizam a cerimônia da Grande Reunião.
Quando, do trono, Mingyur Dorje toca um pequeno tambor de marfim e canta a invocação:
'Vidyadharas, detentores do estado desperto atemporal, dakas, dakinis, venham com seus
séquitos venham e participem do banquete vajra,' então todas as deidades da
mandala universal, bem como os patriarcas da linhagem ancestral, têm que responder
a este convite auspicioso. Portanto foi assim que eu visitei Dzogchen. De outra forma,
nunca visitei fisicamente teu mosteiro."
O jovem Pema Dorje percebeu que Choying Rangdrol era um siddha
clarividente, com qualidades intrínsecas extraordinárias, e que podia transcender tempo
e espaço. Cheio de fé, o menino curvou-se perante o mestre e recebeu sua benção.
Algum tempo depois Pema Dorje seguiu Choying Rangdrol e Patrul
à Buditude.

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