Compaixão
Clarividente


Durante um ano Patrul Rinpoche decidiu oferecer cem mil prostrações para seu
professor Mingyur Namkhai Dorje. Mas este, o maior lama do Mosteiro Dzogchen, era
totalmente imprevisível.
Logo que Patrul fazia uma prostração, o grande mestre levantava-se e
prostrava-se a Patrul. Isso ocorria cada vez que Patrul começava a curvar-se diante do
grande lama. Finalmente Patrul escondeu-se no templo, atrás do trono de Namkhai Dorje,
ali, invisível, ele oferecia discretamente suas prostrações.
Namkhai Dorje também era conhecido por sua clarividência desobstruída.
Certa vez Patrul Rinpoche parecia estar procurando por algo antes de sair; enquanto ele
calçava os sapatos na porta do quarto Namkhai Dorje disse, "Perdestes tua
calçadora? Está na campina perto do rio." O discípulo encontrou o que queria bem
onde o mestre disse que estava.
Outra vez, ladrões entraram no templo do Mosteiro Dzogchen e roubaram
jóias do pescoço de uma estátua muito alta. Todos ficaram perplexos, o templo era
fechado e as jóias pareciam inalcançáveis, tão alta era a estátua.
Quando Namkhai Dorje ficou sabendo do roubo, ele disse calmamente,
"Conheço o ladrão." Ele entrou no primeiro andar, caminhou pelo parapeito
dentro do templo, alcançou e retirou os ornamentos com uma vara longa.
Quando os monges foram checar, eles encontraram as marcas da passagem do
ladrão e a vara, que havia sido deixada no parapeito. Apesar disto, Namkhai Dorje
recusou-se a revelar a identidade do ladrão, pois o homem seria punido severamente se
encontrado.
"Ele precisa de nossas orações, não de nossa
punição," disse o idoso lama benevolente. "Possam as jóias do Buda concederem
a ele o tesouro da completude eterna e paz interior."

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