Onde Todas as Orações são Concedidas

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Certa vez Khenpo Tashi Ozer estava Retornando do Tibete central, acompanhado por um grupo de peregrinos. Entre eles estava uma jovem monja que era a reencarnação da famosa Dorje Pagmo de Yardrok. A companhia chegou a um vale nas montanhas acima do Mosteiro Dzagyal, onde Patrul Rinpoche, perto do fim de sua vida, estava vivendo isolado numa tenda de pele de iaque. Os viajantes duvidaram chegar a encontrar Patrul, que geralmente evitava encontros casuais.

"A vida é curta," Patrul dizia, "e a morte é iminente. Não procrastine."

Muitos dos peregrinos disseram que preferiam continuar do que se arriscar não encontrar o famoso eremita. "Não se preocupem; o encontraremos," afirmava Khenpo Tashi.

Quando aproximaram-se da tenda, a voz de Patrul podia ser ouvida: "Aí vem o grande Khenpo Tashi, exibindo sua jovem monja aristocrata do Tibete central. As pessoas nunca me deixam em paz! Ah-yii! Elas serão minha morte!"

Khenpo e seus seguidores imploraram ao mestre acuado, pedindo uma audiência. De dentro da tenda veio a resposta: "Não podem entrar! As pessoas nunca ouvem nada do que digo!"

"Sim, sim — nós ouviremos, nós ouviremos!" fizeram coro em resposta.

Patrul retrucou, "Então vão ao Mosteiro Dzagyal onde o corpo embalsamado de meu guru, Jigme Gyalway Nyugu, está num santuário. Ele era a deidade Chenrayzig, Grande Compaixão, em pessoa; encarar seus restos é o mesmo que encontrar o Buda compassivo. Se fizerem oferendas para aquela relíquia sagrada, não encontrarão obstáculos nesta vida e certamente progredirão até a liberdade nas vidas futuras, finalmente alcançando a grande paz do Nirvana. Qualquer prece feita na frente daquelas relíquias certamente será concedida."

De acordo com essa ordem, todos desceram ao Mosteiro Dzagyal. Por três dias ofereceram orações, lamparinas de manteiga, prostrações, circumambulações, e banquetes sagrados. Somente então retornaram ao acampamento de Patrul.

Os peregrinos, ainda céticos sobre suas chances de encontrar Patrul, novamente foram tranqüilizados por Khenpo Tashi Ozer. "Não se preocupem, desta vez certamente vamos conhecê-lo."

Logo que aproximaram-se da tenda, Patrul Rinpoche lamentou-se, "Estes camaradinhas inquietos serão meu fim! Não podem deixar um velho em paz?"

Tashi Ozer dirigiu-se a ele, "Dissestes que não ouviríamos a ti, mas ouvimos. Rezamos e fizemos oferendas perante as relíquias de Jigmé Gyalway Nyugu. Mas tu dissestes que qualquer oração que fizéssemos se tornaria verdade; infelizmente, não parece ser o caso."

"O quê?!" exclamou um Patrul descontente e perplexo. "Isso é impossível! Que oração que fizestes que não se realizou? Nunca ouvi uma coisa dessas."

"Oramos, 'Possamos conhecer Patrul Rinpoche,'" o inteligente Khenpo respondeu.

Após um momento de silêncio, Patrul falou de novo. Agora tinha largado o tom grosseiro. "Tudo bem, tudo bem," ele concordou, "entrem."

Ele abriu a cortina cobrindo a porta de sua tenda. Então partiu direto para os ensinamentos, começando com os quatro pensamentos que transformam a mente e continuando com refúgio, Bodicita, e outros tópicos. Todos presentes tornaram-se fervorosos seguidores de Patrul.

Sempre que Patrul ia apresentar homenagem aos restos de Gyalway Nyugu, ele orava fervorosamente:

"Em todas minhas vidas futuras,
Possa eu jamais cair sob influência de más companhias;
Possa eu jamais machucar até mesmo um fio de cabelo de qualquer ser vivo;
Possa eu jamais ser privado da sublime luz do Darma.

 

"Possa quem quer que conecte-se comigo de qualquer forma possível
Ser purificado até mesmo dos mais sérios pecados;
Possa ele ou ela fechar a porta para o renascimento nos reinos inferiores,
E renascer na bem-aventurada Terra-de-Budas de Chenrayzig, Dewachen."

Desde então os dias de hoje diz-se que suas preces foram bem sucedidas. Mesmo apenas ler sobre Patrul é ter a incomensurável boa sorte de que tudo isso inevitavelmente frutificará de tão auspiciosa conexão.

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