Perfeita
Generosidade
Por muitos
anos Patrul Rinpoche utilizava o que quer que fosse oferecido a ele para patrocinar a
escultura de mantras em pedras, que então eram empilhadas para formar um muro de
orações. Dessa forma ele sustentava muitos artesãos indigentes e paupérrimos,
inspirando-os a trabalhar. Patrul certa vez cantou:
"Seja bom com os destituídos,
seja paciente e gentil com os malvados,
seja bom com os aflitos,
seja gentil com os tolos,
Empatize com os fracos e oprimidos,
seja especialmente compassivo para com aqueles que apegam-se a uma realidade
concreta."


Inevitavelmente, após dar esmolas aos mendigos, Patrul parecia ainda mais
feliz do que eles. Ele preferia o som de alguém mendigando ao som de música ou conversa.
Uma vez um pobre escultor chamado Phukhop implorou dinheiro a ele.
"Pobre amigo," disse Patrul, "apenas diga, 'não preciso de dinheiro,' e eu
te darei algum."
"Que tipo de brincadeira é esta?" Phukhop pensou, sem
dizer nada.
Depois que Patrul Rinpoche repetiu seu pedido três vezes, o amarrado
Phukhop finalmente murmurou, "Não preciso de dinheiro." O mestre então
presenteou-o com um grande punhado de moedas.
Já que Patrul nunca perdia uma oportunidade de dar esmolas sob nenhuma
circunstância, um discípulo então pediu uma explicação sobre o comportamento do
mestre.
Patrul contou esta historia: "Uma vez, durante a vida de nosso guia
espiritual, Buda Sakiamuni, um homem pobre ofereceu-lhe um pouco de doce. Um ganancioso
Brâhmane imediatamente pediu pelo doce, sabendo que o Buda nunca dizia não.
"O Buda respondeu, 'Apenas diga, "Gautama, não preciso
deste doce," e eu darei-o a ti.' E assim foi feito.
"Mais tarde, Ananda pediu a Buda que explicasse. O Buda
então detalhou, 'Através de quinhentas vidas, este Brâhmane nunca nenhuma vez sequer
pronunciou as palavras, 'Eu não preciso.' Eu ajudei-o a pronunciar essas simples palavras
de forma a gerar nele o sentimento de não precisar de nada. Diluindo a ganância, estas
palavras plantarão nele as sementes da generosidade.'"
Então, por vários dias, nenhum escultor necessitado aproximou-se de
Patrul. As oferendas dos fiéis empilhavam-se, já que não havia ninguém para quem
distribuí-las. Repentinamente os olhinhos de Patrul brilharam. "Estão
chegando!" ele gritou, reunindo todo seu dinheiro.
Quatro ou cinco escultores logo chegaram. Assim que os mendigos entraram em
sua presença, antes mesmo que pudessem falar qualquer coisa, Patrul exclamou, "Aqui
está!" e entregou-lhes punhados de dinheiro. "Esculpam pedras mani!" Ele
adicionou. "Cultivem virtude."
Depois que os escultores se foram, Patrul comentou, "Até
que enfim me livrei daquela velharia, inútil como um cadáver apodrecendo no chão!"

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