"Nunca!" respondeu o solitário inocente. "E tu, as
têm?"
"Pra dizer a verdade," contemplou Patrul, "Eu
ocasionalmente lembro-me de centenas de minhas vidas passadas."
"Fale-me sobre suas existências," implorou o eremita.
"Certamente isso beneficiará minha prática de meditação."
"Em uma vida fui uma prostituta na Índia, na vila onde o grande
sábio negro Krishnacarya vivia," disse Patrul. "Movida por fé, ofereci-lhe um
bracelete de ouro puro. Depois disso nunca mais nasci um caipira mas tenho tido a
boa-sorte de me tornar sempre um pandita [doutor em Budismo]."
"Infelizmente não tenho nenhum ouro para te oferecer," disse o
recluso, que podia não ser tão bobinho quanto parecia. "De qualquer forma, aspiro
somente a iluminação, não erudição."
"E eu não sou um mestre como Krishnacarya!" gargalhou Patrul.
"Que droga!"