OS 22 CAMINHOS DA KABALA  
 

 

                

       

Ayin
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                     26º CAMINHO - HOD - TIPHERETH

         O 26º Caminho, é chamado da INTELIGÊNCIA RENOVADORA, porque o Deus Sagrado renova por ele todo o mutável de coisas que são renovadas pela criação do mundo.

         O texto Yetziratico classifica esta Estrada como da RENOVAÇÃO. O que se entende por Renovação? O próprio termo indica uma modificação, uma reforma, tornar algo melhor, com brilho novo ou forças novas, um rejuvenescimento. O texto ainda fala do mutável das coisas, renovado pela criação do mundo.

         Claramente é conhecido que a mente humana é muito mutável. O ser humano é o resultado de seus processos intelectuais e psíquicos. De acordo com o progresso cultural está sendo modificada e renovada a escala individual e racial de valores; o que é válido hoje, amanha perderá sua razão de ser.

         No 26º Caminho que estabelece a conexão entre a mente concreta e o intuitivo, entre a Personalidade e a Individualidade, que o conceito Divino formulado pelo homem, vai se modificando e renovando a medida que espiritualmente ascende neste caminho, o Divino idealizado conceito e intelectualizado para a mente concreta são tão variados quanto o conceito que o homem estabelece de si para si mesmo, tão real e ilusório como o resultado dos seus processos intelectuais e psíquicos; assim, também é falso o conceito do Diabo cuja carta correspondente do Tarô dá o sentido teórico do 26º Caminho.

         Neste Caminho hermético de filosofia ocultista e da magia, a mente concreta vai se iluminando com a magia intuitiva que emana de Tiphereth, a nível do eu Superior. Logicamente, os conceitos velhos de um Deus feroz e vingativo das tribos primitivas, o tirano incompetente do Velho Testamento (que lamentando o seu trabalho decidiu submergir em uma Inundação), o egípcio Deus rígido e formal, o Deus o governador dos gregos e outros conceitos infantis, foram se modificando com correr do tempo. Somente quando a consciência humana se faz uma com a do Pai: "O Pai e eu somos Um", então a humanidade terá uma idéia perfeita de Deus. "Quando eu era criança. . . . . . . . . . . . . . .

mas quando eu me tornei o homem, eu fiz desaparecer o que era da criatura. Agora nós vemos como por um espelho, escuro e confusamente, entretanto será cara a cara. Agora eu "sei de um modo imperfeito, entretanto eu saberei como eu sou conhecido." (lª l3:11-12 coríntio). Então pela criação do mundo pessoal (de cada individual) um mundo novo e melhor, o intelectual vai ser renovado e se vai descartando o que é irrelevante.

         O Arcano de XV do Tarô descreve um diabo, na figura de um bode masculino sentado em uma esfera apoiado em um cubo, com o braço esquerdo abaixo agarrando um cetro e o outro braço girando para cima, enquanto expressando no axioma hermético: "como é em cima é abaixo." O Pentagrama invertido está entre os dois chifres. Esta imagem refletiva uma expressão contrária, invertida, da Divindade, como são as imagens vistas em um espelho.

         O cubo se relaciona con Malkuth, a materia; um homem E uma mulher encadenados ao pé do bode macho, representam a Adão e Eva depois da queda. O homem amarrado pela garganta representa o cessar da liberdade de movimento e a mulher presa pela cintura tem freiada sua capacidade creadora. En algunas cartas, tanto o homem como a mulher escondem atrás de seu corpo um tipo de árvore e tem chifres na cabeça.

         O título desta carta é Senhor das Portas da Matéria e Filho das Forças do Tempo. Isto não significa que matéria e tempo são ruins que deveriam ser ignorados. Eles são confusos e irreais as noções que a mente elabora no fenomênico mundo, como também as noções que a mente finita tem sobre o Deus infinito. Somente no plano da dualidade, simbolizado pelos dois chifres do macho e pela forma da letra Ayin, é que o homem pode para ser perceber se a si mesmo como uma Unidade; se a humanidade não houvesse adquirido noções de separatividade, o que se considera como um mal não seria afirmado como Eu.

         Nem sempre o mal, como nós normalmente o entendemos, é aquilo que prejudica ou fere. Essa definição é muito relativa; se existisse uma sociedade que só praticasse o mal, qualquer interferência da força do bem seria um mal Os obstáculos que são considerados um mal, ocasionam às vezes danos , mas por outro lado, sem obstáculos não há nenhum movimento. Outro tipo de mal é a resistência que impede a expansão de algumas coisas. Mas é uma espécie de força que limita os excessos de movimentos, como isto que acontece nas políticas que sem oposição encaminha para a anarquia, para a tirania. A fricção, resistência e a oposição, no plano da existência, permitem a manifestação do princípio criativo. Este parece paradoxal, como a sua intuição que às vezes vai contra a lógica.

         Neste Caminho o ser passa pela Noite Escura da Alma; é o que conduz a Deus pela via do intelecto. Seu aspecto adverso é a ignorância contrária à Sabedoria que unicamente proporciona o real conhecimento da Verdade.

         O significado espiritual deste Caminho é vinculado com Capricórnio, a cabra. Apesar das dificuldades que oferece esta Estrada, se necessita o experimentar. Só estar na inteligência concreta é amarrar se, fixar se no Caminho. Como a cabra vai ascender ao alto da pedra, rumo ao objetivo, a mente precisa escalar a montanha da sabedoria deste modo. A influência limitadora, cristalizadora e obstaculizadora que Saturno exerce diretamente neste Caminho, exige paciência, reflexão, precaução e um discernimento invencível e determinação para fazer frente às dificuldades.

         No princípio, a dualidade simbolizada pela carta Ayn, a ciência racional e o dogma irracional, eles podem amarrar o caminhante; mas na medida em que a Inteligência Renovadora vai se afirmando, o Olho que tudo vê, símbolo oculto de Ayn, o vai liberando das limitações e ancoradouros da ignorância. Despertam no homem as aptidões para tirar o melhor lucro nos ensinos da severidade. É a letra Ayn a chave do 26ª caminho.

         Outro aspecto interessante deste caminho é o do bode expiatório. É a tendência do homem comum culpar às circunstâncias externas pelos efeitos negativos das causas por ele mesmo criada e os pecados de outras pessoas, na imitação de Cristo. "Agnus Dei qui tollens peccata Mundi" (Cordeiro de Deus que resgata o pecado do mundo).



 


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