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Bodhisattvas |
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Os
bodhisattvas
No buddhismo Mahayana, um bodhisattva (páli bodhisatta, chin. p'u-sa, jap. bosatsu/ bodaisatta, tib. jangchub sempa/ byang chub sems dpa') é um ser da iluminação, que está no caminho para alcançar o estado de Buddha. Enquanto existir o espaço e os seres em sofrimento, continuarei a renascer no samsara para ajudar a todos os seres sencientes. (Shantideva, Bodhicharyavatara) Certos textos, como o Dashabhumika Sutra e o Rajaparikatha Ratnamala, descrevem os dez estágios que um bodhisattva deve atravessar até alcançar o estado de Buddha. |
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O
primeiro estágio é Muito Alegre [sânsc. Pramudita],
uma vez que o bodhisattva está exultante. Ele abandona os três
impedimentos e nasce na linhagem dos Tathagatas. Pela maturação
dessas qualidades, a perfeição da generosidade torna-se
suprema; ele ilumina, com sua vibração, uma centena de
mundos e se torna um grande senhor do universo.
O segundo estágio é chamado Sem Mácula [sânsc. Vimala] porque as dez ações virtuosas do corpo, da fala e da mente são imaculadas e ele permanece nelas de modo natural. Pela maturação dessas qualidades, a perfeição da ética torna-se suprema; ele se torna um monarca universal que auxilia os seres, senhor dos quatro continentes gloriosos e das setes substâncias preciosas. O terceiro estágio chama-se Brilhante [sânsc. Prabhakari] porque surge a pacificadora luz da sabedoria. Geram-se as concentrações e clarividências, enquanto o desejo e o ódio são de todo extintos. Pela maturação dessas qualidades, a perfeição da paciência torna-se suprema; extinguindo-se o desejo por completo, torna-se um grande e sábio rei dos deuses. O quarto estágio é chamado Radiante [sânsc. Archishtamani] porque surge a luz da verdadeira sabedoria, na qual ele cultiva de modo supremo as práticas que auxiliam a iluminação. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um rei dos deuses no paraíso Yama, hábil em impedir o surgimento da concepção de que a conjunção transitória seja a natureza intrínseca. O quinto estágio chama-se Difícil de Superar [sânsc. Sudurjaya] porque os perversos acham dificílimo subjugá-lo; ele se torna capaz de conhecer os significados sutis das verdades nobres e afins. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um rei dos deuses, que habita o paraíso Tushita, supera as fontes de aflição e as opiniões de todos os tirthikas. O sexto estágio é chamado Aproximação [sânsc. Abhimukhi] porque ele se aproxima das qualidades de um Buddha; pela familiaridade com a quietude permanente e com a sabedoria diferenciadora, ele atinge a cessação e, portanto, avança na sabedoria. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um rei dos deuses no paraíso Nirmanarati. Os shravakas não podem superá-lo: ele pacifica os que têm o orgulho da superioridade. O sétimo estágio é o Afastado [sânsc. Duramgama], porque o número de suas qualidades aumentou e em qualquer momento ele pode adentrar o equilíbrio da cessação. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um senhor dos deuses no paraíso Paranirmitavasavartin, torna-se um grande mestre de mestres porque conhece a realização direta das verdades nobres. O oitavo estágio é chamado Imutável [sânsc. Achala], o estágio vigoroso; devido à sua não-conceitualidade, ele é imóvel e as esferas de atividade de seu corpo, fala e mente são inconcebíveis. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um Brahma, senhor de mil mundos; arhats, pratyeka-buddhas e afins não podem superá-lo em elucidar o significados das doutrinas. O nono estágio é chamado Inteligência Perfeita [sânsc. Sadhuma]; como um regente, ele atingiu a realização individual correta e, portanto, tem inteligência perfeita. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um Brahma que é senhor de um milhão de mundos; os arhats e afins não podem superá-lo em responder às questões dos pensamentos dos seres sencientes. O décimo estágio é a Nuvem do Dharma [sânsc. Dharma-megha] porque cai a chuva da doutrina excelente; o bodhisattva é consagrado com luz pelos Buddhas. Pela maturação dessas qualidades, ele se torna um senhor dos deuses de Morada Pura, ele é um grande soberano supremo, senhor da esfera da sabedoria infinita. Assim, estes dez estágios são celebrados como os dez dos bodhisattvas; o que se refere ao Estágio de Buddha [sânsc. Buddha-bhumi] é diferente porque, inconcebível de todas as maneiras, diz-se que sua extensão ilimitada abraça os dez poderes; cada um de seus poderes também é incomensurável como o número ilimitado de todos os seres que transmigram. Afirma-se que o ilimitado das qualidades de um Buddha é igual ao do espaço, da terra, da água, do fogo e do ar, em todas as direções. (Nagarjuna, Rajaparikatha Ratnamala) |
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De
um modo geral, os principais bodhisattvas são três: Avalokiteshvara,
associado à compaixão (sânsc. karuna) que elimina
o veneno do apego (desejo); Manjushri, associado à sabedoria
(sânsc. prajna) que elimina o veneno da ignorância (desconhecimento);
e Vajrapani, associado aos métodos ou meios hábeis (sânsc.
upaya) que eliminam o veneno da raiva (ódio, aversão).
Na China, quatro bodhisattvas são associados a montanhas sagradas: Avalokiteshvara (chin. Kuan-yin), Manjushri (chin.Wen-shu), Samantabhadra (chin. P'u-hsien) e Kshitigarbha (chin. T'i-ts'ang). Principais
Bodhisattvas Avalokiteshvara (chin.
Kuan-yin, Kuan-hsi-yin; jap. Kannon, Kanzeon, Kanjizai; tib. Chenrezig/
spyan ras gzigs)
"Aquele que ouve os sons de todos os mundos", é o bodhisattva da compaixão, o mais venerado de todo o buddhismo Mahayana. Segundo as lendas, ele nasceu de um raio de luz, emanado pelo dhyani-buddha Amitaba. Das lágrimas de Avalokiteshvara, teria nascido Tara (chin. Tuo-luo, jap. Tarani, tib Drölma/ sgrol ma), o aspecto feminino da compaixão, que manifesta 21 emanações para ajudar os seres. Na China, onde Avalokiteshvara também é um ser feminino, sua montanha sagrada é P'u-t'o'-shan (província de Chekiang). Samantabhadra
(chin.
Pu-hsian, jap. Fugen, tib. Kuntuzanpo/ kun tu bzang po)
"Toda bondade"; protetor daqueles que ensinam o Dharma. No Tibet, ele é o bodhisattva das oferendas supremas; em seu aspecto dharmakaya, abraçando a consorte Samantabhadri, ele é o Buddha primordial da escola Ningyma representado a não-dualidade. Na China, sua montanha sagrada é O-mei-shan (província de Si-chuan). Manjushri
(chin.
Wen-shu, jap. Monju, tib. Jampel/ 'jam dpal)
"Fala
nobre", o bodhisattva da sabedoria, que geralmente é representado
com uma espada (para cortar as delusões) e uma escritura. Maitreya (chin.
Mi-le, jap. Miroku, tib. Jampa/ byams pa) "O
amoroso"; o buddha do futuro, que deverá aparecer para restaurar
o Dharma quando os ensinamentos de Buddha Shakyamuni desaparecerem.
Segundo alguns textos, ele está no paraíso de Tushita e nascerá como um Buddha daqui a trinta mil anos. Na China, ele é popularmente conhecido como o "Buddha da Felicidade". Vajrapani (chin.
Chin-kang, jap. Kongôyasha, tib. Chagna Dorje/ phyag na rdo rje)
Um
dos dharmapalas, ou protetores do dharma, associado aos meios hábeis,
ao poder do método. Kshitigarbha (chin.
T'i-t'sang, jap. Jizô, tib. Sainyingpo/ sa'i snying po) "Aquele
que abarca a terra"; bastante conhecido no Japão como protetor
das crianças mortas e libertador dos tormentos.
Na China, sua montanha sagrada é Chi-hua-shan (província de Anhwei). Mahastamaprapta (chin.
Shih-tzu, jap. Seishi) "Aquele
que obteve grande força"; ele representa o poder e a sabedoria
do dhyani-buddha Amitaba concedendo o conhecimento necessário
para despertar a natureza búddhica e ajudando os seres a alcançar
a iluminação. Akashagarbha (chin.
Hsü-k'ung-t'sang, jap. Kokûzô, tib. Namkhai Nyinpo/
nam mkha'i snying po) "Aquele que abarca o espaço"; o guardião de bênçãos e tesouros infinitos, associado à sabedoria e à compaixão. Diz-se que que todo aquele que praticar rigorosamente os seus métodos conseguirá alcançar a sabedoria de buddha e se tornar iluminado. |