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Como
e para que ser Alquimista Por : Jesus
Saiz García Dou
graças ao irmão o homem, por sua generosidade...
Os
antigos alquimistas se serviram do símbolo para ensinar a preparação
secreta do antimonio. Este é uma parte de nosso Ser que se encarrega de ir
fixando os átomos de ouro a nossos corpos existenciais até convertê-los
em ouro puro. É nosso alquimista particular interior. Basilio Valentín
quem escrevesse todo o segredo da Grande Obra em seu manuscrito Azoth,
dá o apelido de peregrino ou viajante ao Mercúrio hermético. Icon
peregrini representam ao
Mercúrio hermético sob a imagem de um peregrino que ascende por um caminho
abrupto e rochoso, num lugar de penhas e grutas. Tocado com
um largo chapéu plano, apoia-se com uma mão em sua bastão, e com a outra
sustenta um escudo no que figura o
sol e três estrelas. Umas vezes
jovem, alerta e vestido com cuidado, e outras velho, cansado
e miserável, é seguido sempre por um cachorro fiel que parece compartilhar sua
boa ou má fortuna. O velho
alquimista, artesão da fortuna dos Vallois e senhores D´escoville viveu
como um sábio, segundo os preceitos de disciplina e de moral
filosóficas. Dizia-lhe a seu filho em 1.445, que não podia seguir o
exemplo nem levar a vida dos poderosos sem trair suas convicções. É
provável, que aos setenta anos, sem outra preocupação material que suas
obras, acabasse no castelo de Flers
uma existência de labor, de calma e de simplicidade
em companhia dos dois amigos com quem tinha realizado a Grande
Obra. Seus últimos anos, foram consagrados à redação das obras
destinadas a educação científica de seu filho, conhecido com o epíteto de
Piedoso e nobre cavaleiro. Ali dizia: No nome
de Deus Todo Poderoso, sabe, filho meu bem amado qual é minha intenção pelos extremos
que a continuação declaro: Quando, nos últimos dias de minha vida,
meu corpo esteja preste a ser abandonado por minha alma e não faça senão esperar a
hora do Senhor e do último suspiro, é meu desejo deixar-te como testamento e última
vontade estas palavras, pelas quais te serão ensinadas muitas coisas
relativas lindas e de muito condescendente transmutação metálica... Por isso te fiz
ensinar os princípios da filosofia natural, a fim de fazer-te mais
capaz para esta santa ciência. É muito comum
nestes tempos materialistas e consumistas, ter um desconhecimento total do
uso correto da ciência da alquimia, é por isso que nos propomos ser o
polo orientativo de Como e para que ser alquimista. É bem verdade
que perdemos muito tempo mendigando e procurando o verdadeiro ensino
como disse Nicolás Flamel: A alquimia se
escreve veladamente, para os que conhecem destes trabalhos. Que tanto de ouro
há em nós? ¡Se temos
ouro poderemos fabricar mais ouro!, ou dito de outra maneira, ¡se temos consciência
sobre nossa realidade, poderemos seguir desenvolvendo nossos valores
espirituais!. A alquimia se
praticava na China, segundo alguns documentos datados no ano 4.500
AC.; assim mesmo existem textos Védicos e Budistas onde mencionam a um
misterioso composto chamado líquido hataka capaz de transformar o
bronze em ouro puro. No caminho
para o Ser, nosso Deus interior, a única fórmula válida já foi dada em seu
dia pelo Mestre de Mestres, sendo hoje tão atual como o foi então.
Negue-se asi mesmo, tome sua cruz e segue-me. Será este axioma junto ao
caminho estreito o que nos levará a liberar a porta estreita, indicados pelo Salvador
Jesús, filho de María e José, nascido num estábulo entre animais e
anunciada sua vinda por um Anjo bem como por uma estrela, que guiasse a quantos
quiseram conhecer ao menino de ouro, ou Rei de Reis. Em toda época
a fórmula da alquimia foi muito bem escondida desvelandose somente a quem
desse provas de seu anseio para o entendimento dos mistérios de Deus.
É bem como o atesta um manuscrito conservado na Biblioteca Marciana de Veneza
onde figura a fórmula do juramento, segundo a lenda, por Ammael a Isis
esposa de Osiris: Juro pelo
céu, pela terra, pela luz, pelas trevas; juro pelo fogo, pelo
ar, pelo água e pela terra, juro pela altura do céu, pela profundidade
da terra e pelo abismo do Tártaro, juro pelo Mercúrio e
por Annubis, pelos rugidos do dragão Chercurobos
e do cão tricéfalo cerbero,
guardião do inferno, juro pelo barquero do Aqueronte, juro pelas três
parcas, pelas fúrias e pela espada, que nunca revelarei estas palavras a ninguém
mais do que a meu filho nobre e encantador. E
agora vê procura ao agricultor e pergunta-lhe que é o grão e o que é a colheita, dele
aprenderás que quem semeia
trigo receberá trigo, e quem semeia cevada recolherá cevada. Isso te conduzirá
à idéia da criação e da geração; recorda que o homem
faz nascer ao homem que o leão faz nascer ao leão, que o cachorro
reproduz ao cachorro. Do mesmo modo o ouro produz ouro,
tenho aqui todo o mistério. Este ensino
que colocamos ao serviço da humanidade, tem o propósito de entregar a
chave que nos permita, sem diferenças de credos, educação ou de qualquer outra
índole, conhecer o Grande Arcano. Tens de saber
que és um privilegiado por conhecer a chave do arcano (alquimia); ou por estar
no inicio de receber a desvelação, assim mesmo, única via para chegar ao
Absoluto e conseguir a libertação de toda atadura materialista. No entanto, não
é menos verdadeiro que por muitos anos tem estado à luz este enigma e a humanidade não o soube interpretar corretamente, pelo mesmo
sumiu, a medida que passava o tempo, numa escuridão
total, afastando-se de todo princípio ocultista que lhe acercasse a sua realidade
Espiritual. Diferentes
alquimistas do medieval fazem ênfases em assinalar que a arte da alquimia
não se aprende nos livros, senão através da revelação de um Mestre
pertencente ao circulo solar da Branca Irmandade. A ciência alquímica
não se ensina. Cada qual deve aprendê-la por si mesmo não de maneira
especulativa, senão com a ajuda de um trabalho perseverante... assim afirma
Fulcanelli.
E adiciona Nicolás
Flamel: Não se escreve
a mais do que para quem já sabem esses princípios, os quais não se encontram jamais em nenhum
livro. Paracelso, ensina-nos de maneira velada o mistério alquímico ou o caminho do amor: O
princípio é um no masculino, e no feminino. Os opostos se
fusionam para poder criar, uma força positiva e uma força negativa, unindo
ambas, dá como resultado a força neutra, a que as concilia e assim se cria... Na segunda
epístola de San Pablo a Timoteo, C. II, 20 podemos ler: Numa casa grande
não há só copos de ouro e de prata, senão também de madeira e de barro; e os
uns para usos de honra, os outros para usos vis. Sendo Fulcanelli quem
nos devela esta epístola. Os grandes mestres a chamam trabalho de mulher
e jogo de menino, e lhe aplicam o velho axioma hermético: uma repetição, um caminho, uma
determinação. Uma só matéria, uma só vasilha, um só forno. Tal é nosso
copo de barro, menosprezado, vulgar e de emprego comum, que todo o mundo tem
ante os olhos, que não custa nada e que se encontra nas casas de todas as
gentes, mas que ninguém, no entanto, pode conhecer sem revelação. Assim mesmo
Salomón Trismosin, em seu livro A toyson d´or diz: Procura pois, com
a luz de teu espírito a luz que está envolvida em trevas, e aprende disso que
o sujeito mais vil de todos segundo os ignorantes é o mais nobre segundo
os sábios. Jacques le Tesson
afirma: Se a técnica reclama certo tempo e demanda algum
esforço, como contrapartida é de uma extremada simplicidade. Qualquer profano
que saiba manter o fogo a executará tão bem como um alquimista experiente. Como podemos
comprovar não sempre foi fácil reconhecer o elemento com o qual se deveria
trabalhar, e temos um exemplo bem eloquente, no caso de Trevisán, pois
gastou toda sua fortuna procurando a Pedra Filosofal e conseguiu descobrir o
segredo aos setenta e cinco anos de idade, já demasiado tarde. Se tivéssemos
que citar a partir de quando toma seu máximo esplendor a prática alquimista,
teria que responder, no século XIV. Nessa época diferentes alquimistas
começam a dar sinais de sua arte, fazendo demonstrações públicas do poder
da transmutação, também emergem à luz os livros onde se entregavam
a maneira de operar no laboratório alquímico, mas sempre de maneira velada. Médicos,
monges, artistas, cientistas, políticos, aristocratas, etc., eram os
alquimistas, um amplo leque da classe social dessa época. Os árabes
foram os responsáveis de entregar o archote da alquimia aos europeus,
nessa viagem de Oriente a Ocidente, seguindo a rota do sol. Onde se criaram
as escolas de regeneração num regime totalmente hermético. Mas se
procuramos a origem da ciência alquímica, teríamos que nos remontar aos tempos
mais antigos da humanidade. E para isso vamos ao conhecimento.
Quando a mulher e o homem formavam o Andrógino
Primordial, o Adam Kadmon do génesis, é dizer o homem Protoplasmático da primeira
raça que colonizou a terra. E adiciona: A transmutação
pertence ao laboratório do alquimista. O laboratório do alquimista é
o laboratório da natureza e o laboratório da natureza está dentro
de nós mesmos, aqui e agora, está constituído por todos esses utensílios
que se simbolizam claramente nos velhos textos de alquimia. Muitos pusemos em prática
OS ensinos e hoje somos os mesmos alquimistas do passado, que prosseguimos
neste trabalho tentando superar as limitações que nós mesmos criamos. É hora de tomar
consciência do valor que tem para nossas vidas o conhecer o
significado do Arcano ou Grande Arcano, não podemos ficar passivos com um dado
intelectual mais em nossa velha memória, é preciso que nos decidamos a seguir
a senda da castidade, ( virtude do que se abstém de todo gozo sexual ilícito)
entendendo por ilícito a adulteração, fornicação bem como toda a perdida
energia seminal. Sendo castos poderemos converter-nos em verdadeiros filhos
de Deus. Lamentavelmente
se confunde a palavra castidade com a de celibato, já definimos que é ser
casto. Agora definiremos celibato; (é o estado de solteiro ou solteira). Como
podemos comprovar entre uma palavra e a outra há um abismo, pelo que
deduzimos que não necessariamente um solteiro ou celibatário é casto, já que ser casto
implica uma atitude de regeneração e sobretudo de luta contra as paixões
desordenadas e luciferinas que habitam nos instintos de todas as criaturas
que estão no estado animal, como por exemplo; o animal intelectual o
homem. Em outro tempo
a natureza humana era muito diferente do que é hoje. Primeiro tinha três
classes de homens; os dois sexos que hoje existem, e um terceiro, composto destes dois
o qual desapareceu conservando-se só o nome. Este animal
formava uma espécie particular, e se chamava andrógino, porque reunia o sexo
masculino e o feminino; mas já não existe e seu nome está em descrédito. As leis
involutivas entraram no palco da vida e começou a degenerar-se a raça
humana, sofrendo a horrível saída do Edén; desde então a atracção
pelo sexo oposto, segue sendo uma força instintiva que há que a dominar,
compreendê-la e finalmente destruí-la, para que assim nasça a virtude da Castidade
Hoje em dia a
humanidade está atuando de maneira inconsciente, e contra ao de sua natureza,
dando por bom, o que não é e negando a virtude, já que perdeu a faculdade
da sabedoria... Da mesma
maneira que os bosques se estão queimando, as terras estão ficando desérticas,
rios e mares bem como nosso ar contaminados, devido a diversos motivos se
pode dizer, que nosso planeta está enfermo; pelo mesmo nós também
o estamos. Não há vida
pura, é maior a misericórdia de nossa Mãe natureza, que nos permite
seguir existindo. Estamos acabando com nosso meio ambiente; bem como com
nossa natureza interior, requer-se de uma mudança radical, para poder sanar. A alquimia nos permite
desenvolver-nos sãos e fortes, para poder desfrutar da vida em toda
sua manifestação, e assim vivê-la de maneira consciente e plena. Hoje aos momentos
de alegria chamamos felicidade, quando a humanidade em sua maioria
desconhece por completo que é a felicidade...; Assim seguem seu caminho para a
velhice de maneira mecânica, mais no entanto, consideram-se do que são capitães de seu
próprio barco, mas a verdade é que são anotadores em alta mar, arrastados segundo
a força das marés. É muito triste ver como todo se consome, e ainda pensam
de suas vidas que é produto da evolução do homem...;
melhor temos a dizer que estamos vivendo de maneira involutiva,
sendo o comportamento do ser humano, cada vez mais desumano, grosseiro e
intolerante e isto é evolução? É tarefa árdua
e pouco reconhecida a do alquimista, não em vão na idade média trabalhavam em segredo
já que suas vidas corriam perigo pela intransigência da época,
bem como do fanatismo corrupto de quem tinha o poder. Hoje em dia não
estamos nesses momentos, para bem da humanidade, mas de alguma maneira quem
queira trabalhar na alquimia, seriamente, terá que nadar contra corrente e
submeter-se as leis Divinas, que distan muito das terrenas. O pagamento a nosso
trabalho será em justiça a nossos méritos, disso podemos estar bem
seguros, já que a Lei objetiva ou
divina, não se fica com nada que não lhe pertença. Procuremos a Deus
e sua justiça e o demais se dará por acréscimo. No Evangelho
segundo Tomás, apócrifo gnóstico, podemos ler: Jesús disse. Há muitos
que estão perto da porta, mas são os isolados os que entrarão na câmara
nupcial. Se quem vos guiam vos dizem olhai, o Reino está no céu, os pássaros
do céu vos sobrepujaram; se vos dizem que está no mar, então os peixes
vos sobrepujaram. O Reino está em vosso interior e fora de vocês. Quando
vos conheçais, sereis conhecidos e sabereis que sois os filhos do Pai que está
vivo. Mas se não vos conheceis, estareis na pobreza e sereis a pobreza. No livro das Mutações
se diz: O céu gera a água por meio do UM. Isto é
justamente a verdadeira força do Grande UM. Se o homem atinge esse UM se
vivifica; se o perde, morre. Os adeptos ensinaram agente a ter
firme o primordial e a preservar o UM; esse é o curso circular da luz e
a preservação do Centro. Se se preserva esta legítima força, pode o UM
alongar seu tempo de vida e aplicar depois o método para criar um corpo
imortal, fundindo e misturando. A irritante Spondet
Pariter, lançada em 1317 contra os alquimistas por parte do Papa João XXII
trata de desacreditá-los, mencionamos alguns deles que souberam transcender
os impedimentos das diferentes épocas. Artefio, para 1130; no século
XIII vive o ilustre monge inglês Roger Bacon, 1214; na França com Alain de I´sle
doutor por Paris e monge do Císter (morto em 1298); Cristóbal o
Parisiense, para 1260; Arnaldo de Villanova entre 1245 e 1310; em Itália
brilham Tomás de Aquino, Doutor Angelicus 1225 e o monge Ferrari em 1280; no
século XIV, Raimundo Lulio, Doutor iluminatus, Franciscano Espanhol entre 1235
e 1315; Juan Daustin filósofo inglês, Juan Cremer, abade de Westminster;
Roberto o Inglês, autor do Correctum alchymiae, para 1330; o Italiano Pedro
Bon de Lombardía; Guillermo de Paris, patrocinador das esmolas herméticas
do átrio de Notre Dame. Entre outros homens e mulheres que souberam transmutar
o chumbo em ouro... |