I   Quimera ou Realidade  

Todo parte de um caos que tem de organizar-se, onde os fogos sexuais incontrolados devoram a natureza humana, deixando-a estéril e inadequada para toda manifestação de tipo superior, onde os valores religiosos, morais, etc. em oposição ao materialismo, manifestam-se como graça Divina.

Decepcionados por não poderem converter o chumbo em ouro, muitos avarentos e desejosos de poder e de fama se sentiram desapontados desta ciência, desacreditando-a e inclusive ridicularizando a todo aquele que se atrevesse a trabalhar com seu Athanor.

É bem como confirma o cosmopolita, pois os considerava e os tomava por loucos.

Hoje em dia considerar-se alquimista é apartar-se do estabelecido, da mecânica da vida, e portanto pôr-se contra as mentes sensuais...

A alquimia tão só é escura porque está oculta. Os filósofos que quiseram transmitir à posteridade a exposição de sua doutrina e o fruto de seus trabalhos, cuidaram-se de divulgar a arte apresentando-a sob uma forma comum, a fim de que o profano não pudesse fazer mau uso dela. Também, por sua dificuldade de entendimento pelo mistério de seus enigmas e pela opacidade de suas parábolas, a ciência se viu relegada entre as fantasias, as ilusões e as quimeras. Assim nos comenta Fulcanelli em seu livro “as Moradas Filosofa-lhes”.

Tomar medidas para prosseguir o trabalho alquímico no anonimato foi uma regra de ouro que cumpriram estritamente os alquimistas que passaram à imortalidade por seus lucros. Confundindo aos adulteradores ou os profanadores de uma Obra, em si Divina, e deixando-a a bem guardada das mentes egoístas e codicionadas, bem como dos perversos.

O ignorante a qualificaria de absurda, mas esta ciência hermética, ignorada, guarda em suas entranhas a finalidade mais real e verdadeira que possamos imaginar, tanto é assim, que poder conhecer a finalidade do trabalho alquímico seria similar, a essa rosa que perfuma a quem se lhe acerca.

Nuns textos atribuídos a Zósimo correspondentes ao século III e à doutrina do Antrhopos, encontramos uma relação entre o filho de Deus e a arte Sacerdotal:

“Se meditaste e viveste na sociedade humana, verás que o filho de Deus se converteu em todo por amor das Sãotas almas; para arrancá-las do domínio do destino e levá-las ao do incorpóreo; olha como se converteu em tudo, Deus, anjo e homem capaz de sofrimentos. Efetivamente, como é capaz de tudo, pode converter-se em tudo o que quer, e obedece ao Pai, penetrando em todo corpo e alumiando o espírito de toda alma, e incitou (ao espírito) para que o seguisse para o alto, ao lugar Sãoto, onde ele morava já antes do nascimento do corpóreo, pois conserva dele a nostalgia e se faz guiar para essa luz.”

O Pai que esta em segredo, nosso Pai espiritual, nossa Divindade, soube esconder estes mistérios e se os entregou por séculos somente as crianças.

No evangelho segundo São Mateo, C. XI, V.25 podemos ler:  Por aquele tempo exclamou Jesus dizendo: eu te glorifico, Pai meu, Senhor do céu e terra, porque tiveste encobertas estas coisas, aos sábios e prudentes do século, e as revelaste aos pequeninos.

É evidente que o termo de criança ou pequenino não o devemos interpretar literalmente, senão melhor é utilizado este termo para descrever a inocência ou melhor dizendo a quem foi iniciado em seu segundo nascimento, este nascimento é espiritual portanto o resultado da união do fogo e da água.

Todos temos um pai e uma mãe física, da mesma maneira, temos um Pai e uma Mãe espiritual, que fazem parte de nossa realidade Divina.

Nosso Pai que está em segredo nos guia e nos ajuda a levantar-nos, enquanto nossa Mãe nos limpa de todos nossos defeitos, agregados psicológicos, permitindo irmos morrendo para a matéria e nascendo para o Espírito.

O trabalho alquímico é a via para chegar a nosso Ser, Pai ou Deus íntimo e Sagrado, mas com o auxílio do IOD HE VAU HE. “JEHOVA”

Muitos se perderam no labirinto do erro, deixaram-se levar por discussões e palestras intrascendentes, que lhes afastaram mais e mais do caminho da luz, em alguns casos, conformaram-se com simples contos ou relatos, mais ou menos entretidos, mas a alquimia, em sua prática, entrega-nos experiências reais e não a divagações.

É bem como Filaleteo, quem se considerava como adepto, o asevera em suas obras escritas.

Talvez poderíamos estar interesSãodo-nos na arte alquímica, como o único fim de beneficiar-nos materialmente, mais não é este o objeto.

Servir a Deus seria a mais nobre tarefa do que o homem pode realizar, e isto se consegue no trabalho alquímico, como assim dão depoimento quem trabalha forjando uma natureza solar...

Anne e Daniel Meurois-Givaudan, professores de letras modernas, relatam sua experiência em Shambhala: “Não separeis já o velado do revelado e fazei compartilhar o único. Nosso primeiro desejo é que os homens deixem de desunir e, sobretudo, que o quem crêem saber deixem de construir escolas no sentido restringido do termo. Acercam-se os anos em que a copa do Graal ou do Cálice Sãoto da humanidade começará a difundir seu néctar sobre a esfera terrestre.”

Ninguém ignora que, na antiga lenda germânica, Titurel  eleva um Templo ao Sãoto Graal em Montsalvat (Monserrat), e confia sua custódia a doze cavaleiros templarios
O Graal e as crateras sagradas de todas as religiões, representam o órgão feminino da geração e corresponde ao copo cosmogónico de Platão, a copa de Hermes e de Salomão e a urna dos antigos mistérios.

O Gardal dos Egípcios é, pois, a chave do Graal... Nesse Gardal ou Graal conservavam os sacerdotes o fogo material, como as Sacerdotisas o fogo celeste de Ptah. Para os iniciados de Isis, o Gardal era o hieroglífico do fogo Divino. O Gardal contém o vinho eucarístico, licor de fogo espiritual, licor vegetativo, vivo e vivificante...

Dom Mario Roso de Luna, o insigne escritor teosófico, diz: As vestiduras dos cavaleiros do Graal e de seus escudeiros são túnicas e mantos brancos, semelhantes às dos templarios, mas em vez da vermelha Tau destes, ostentam uma pomba em vôo pairando nas armas e bordada nos mantos.

O sábio já elegeu e sua aproximação a Deus é a todas luzes seu objetivo primordial, enquanto o necio, aquele quem vendo não vê, quem escutando não ouve, de seguro que se apartará mais e mais do caminho reto.

Triste fim aguarda as almas que caem em tão grave erro, assim Dante escreve: Ai de vocês animais malvadas, não espereis nunca contemplar o céu.

É por isso que se faz muito importante afastar-nos do lodo do materialismo, não devemos perder nosso objetivo: O Ser, por culpa do estrume do consumismo.

A rosa nasce da lama, é dizer, transmuta o grosseiro em sutil, sigamos a decisão das rosáceas, transmutando o que de grosseiro há em nós, e chegaremos ao mais delicado e puro de nossa natureza.

Se de uma quimera ou fantasia se tratasse a alquimia, não teria perdurado até os nossos dias, se tivesse desvanecido no tempo e hoje simplesmente seria um dado histórico, mas esta ciência transmutatoria, segue sendo a realidade do passado presente e futura, que aguarda ser descoberta por aquelas almas avidas de felicidade, que procurem em suas entranhas, em sua gruta escura, para sacar o mais puro ouro que químico algum possa conhecer.

Lamentavelmente as forças de nossa vil natureza, opõem-se constantemente, para que a procura, não só não encontre, senão para que nem chegue a ver o veio de ouro que espera ser explorada.

O Bhagavad-Gita em seu C.3, texto 39 diz o seguinte: Assim, a consciência pura do ser vivente está coberta por seu inimigo eterno na forma da luxúria, a qual nunca se satisfaz e arde como fogo.

E adiciona em seu texto 41: Portanto, ¡Oh Arjuna, o melhor dos Bharatas! Reprime desde o mesmo princípio a este grande símbolo do pecado (a luxúria) mediante a regulação dos sentidos, e mata a este destruidor do conhecimento e a auto-realização.

Essas forças sinistras que carregamos em nossas psiques, fazem que a realidade objetiva (exemplo a seguir dos Mestres alquimistas uma vez concluída a Grande Obra vejamo-la como quimera, mas a ilusão (realidade subjetiva), ilusão é, e portanto se sabemos transcender essa ilusão, poderemos chegar a converter-nos em alquimistas.

Sendo a realidade objetiva uma, inconfundível, faz-se certamente difícil encontrá-la, se antes não fomos postos no caminho correto.

Assim que se queremos chegar a isso que hoje desconhecemos, teremos que ir por onde desconhecemos, já que o conhecido é um círculo com suas subidas e decidas, que nos mantêm constantemente numa repetição de nossas vidas, mas sem sair do área que criamos e que pelo mesmo, parece-nos nossa área a única válida. Ignorando outras opções que são mais reais do que nossa própria vida...

Já São Juan da Cruz em sua Monte Carmelo diz:

(...)

Para vir ao que não gostas

tens de ir por onde não gostas.

Para vir ao que não sabes

tens de ir por onde não sabes.

Para vir possuir o que não possuis

tens de ir por onde não possuis.

Para vir ao que não és

tens de ir por onde não és.

(...)

Precisamos acordar de nosso sonho, para poder evidenciar, compreender e tomar consciência de outras dimensões ou planos da natureza, inclusive de outros amigos, que aguardam a que acordemos, para assim poder fazer-nos partícipes dos segredos que o grande Arcano guarda em seu interior.

É curiosa a frase que se mantinha no umbral da casa de um alquimista. “Doce é a vida se se a segue bem. Já seja em primavera ou em inverno, sob branca neve ou ramos verdes, quando verdadeiros amigos no-la fazem viver. Assim, aqui todos têm aqui seu lugar, tanto os velhos como também os jovens.”

Assim mesmo, é o dragão ao que devemos enfrentar-nos, já que guarda e protege a porta que nos permitirá passar ao templo, onde em seu interior permanece por séculos o conhecimento e a mística de todas as formas religiosas.  

O dragão (símbolo do corpo primitivo), é um animal alquímico por excelência, que com suas três cabeças, mostra os três elementos básicos; sal, enxofre e mercúrio.  

É o mesmo dragão ao que tantos cavaleiros medievais se enfrentaram, para poder resgatar a sua adorada...  

Uma lenda chinesa conta a propósito do sábio alquimista Hujumsin, elevado à categoria de deus depois de sua morte, que tendo dado morte este homem a um dragão horrível que assolava o país, atou o monstro a uma coluna. É exatamente o que faz Jasón no bosque de Etes, e Cydiani em sua narração alegórica “Hermes Develado”.

A verdade sempre semelhante assim mesma, expressa-se com a ajuda de meios e ficções análogas. Sempre é um dragão o encarregado da custódia dos tesouros. Vela pelas maçãs de ouro das Hespérides e pelo Vellocino suspendido da cólquida. Os Filósofos (alquimistas) pintaram-no com a imagem do dragão negro talher de escamas, ao que os chineses chamam lung.

Nicolás Flamel nos fala dos dragões herméticos; um alado (o monstro de focinho de lebre) e o outro, áptero (o gnomo do torso velludo) Contempla bem esses dois dragões, (nos diz o adepto) pois são os verdadeiros princípios da sabedoria...

Os contos e histórias de cavalaria, escudeiros, castelos encantados, etc., foram o meio de difusão das bondades da alquimia.

Por todos é sabido que os dragões despedem por sua boca fogo, este elemento ígneo, é imprescindível no laboratório, manter um domínio sobre o fogo, é básico. Sempre se teve que vencer ao dragão para chegar a um final feliz, e converter-se o cavaleiro alquimista em hermafrodita, dominando às mais baixas paixões, só assim pode portar como tocado, a coroa da vitória, a que ostenta quem é rei de sua própria natureza.

O dragão faz alusão (entre outras) ao filho de Saturno, corporeizado sob o enxofre arsenical. Monstro hermético coberto de escamas,alado com cabeça cornuda que vomita fogo, e patas com garras, este animal, em uns provoca pânico, enquanto em outros é sinal inequívoco de que chegara a seu primeiro encontro com o inimigo oculto.

O que significa que seu percurso é certeiro e a oposição a vencer é a idónea, já que o dragão é quem contém a mais pura semente, que uma vez cultivada de maneira correta, nos permitirá desfrutar dos frutos do Edén.

Em seus confrontos, contra o temido réptil alado, tanto São Jorge como São Miguel, mostram-nos como puderam vencê-lo. Sendo São Jorge quem com um certeiro golpe de espada, pode arrebatar das garras do dragão à princesa.

Todos estes combates há que os ver de maneira figurada, já que na linguagem dos trabalhadores da Grande Obra, é simbólico e se opera de maneira oculta. Os combates fazem alusão aos instintos pasionais sexuais, que o alquimista deve dominar até submetê-los completamente.

A realidade deste trabalho é bem diferente à que nos podem dizer quem nunca se enfrentou contra suas paixões sexuais, portanto, de nada serve estar continuamente envasados numa idéia, do que pode ser ou o que cremos que deve ser a alquimia. Precisamos, se é que assim nos nasce, lançar-nos com todas nossas armas a conquistar a coroa da vitória, e manter-nos firmes sobre a pedra cúbica perfeita, vivendo assim a realidade mais surpreendente do que ser humano tenha podido imaginar, sempre escondida sob o símbolo do dragão.

Todos os autores herméticos falam de um terrível combate entre dois dragões, e a mitologia nos ensina que este foi a origem do atributo de Hermes, que provocou seu acordo interpondo seu bastão.

A estrela de Salomão, é o símbolo da união e da concórdia, que é preciso saber realizá-lo mediante o fogo e a água. Pois bem; sendo o triângulo com o vértice para acima o hieroglífico que representa o fogo, e o mesmo gráfico investido, a água, ambos os superpostos formam a imagem do astro, marca segura de procreação, pois a estrela significa fixação do sol. E, de fato, o signo não se mostra senão depois do combate, quando todo se acalmou e as primeiras efervescencias cessaram, o selo de Salomão, confirma a união do céu e da terra. É o astro mesiánico anunciador do nascimento do Rei dos Reis.  

Não seremos os únicos que podemos comprovar a realidade que encerra a estrela de seis pontas. Antes de nós muitos foram os que puderam comprovar esta realidade, que encerra a estrela misteriosa… O fogo e o água pacificados e em completa harmonia.

Quem sou? De onde venho? Para onde vou? ; enigmas para a mente sensual, mas também respostas recebidas para quem soube ir além do convencionalismo tradicional.

Não é garantia da verdade aquela palavra que se repete dogmaticamente, uma e outra vez, pela imensa maioria dos homens, que sem sabê-lo dormem entre fantasias, recordações, projeções, mentiras e uma cerração que lhes impede participar do raio da Divindade.

Sempre o verdadeiro conhecimento foi de uns poucos, nunca chegaram os Mesías ou salvadores espirituais em massa, melhor se acercaram ao homem humilde ou pelo menos a quem pode chegar a aceitar do que não é nada sem a graça de Deus. Hoje em dia e de maneira muito diferente a que se deu no passado, segue-se dando esta aproximação, mas o terrível orgulho faz que somente se aceite aquilo que se é capaz de raciocinar mediante um intelecto sensual e totalmente decrépito e fora de toda graça espiritual...

A verdade, ou realidade, é sempre recebida com receio e medo. E mais nesta época em do que vivemos do Kali Yuga Idade de ferro. Assim mesmo o ilustre escritor Miguel de Cervantes em sua obra (iniciatica) e pelo mesmo tão mal interpretada pelo público em general “Don Quijote da Mancha” em sua primeira parte capítulo XX, faz alusão a esta idade decadente, escrevemos literalmente: Sãocho amigo, tens de saber que eu nasci, por querer do céu, nesta nossa idade de ferro para ressucitar nela a de ouro, ou a dourada, como costuma chamar-se.”  Pelo mesmo insistimos em que não devemos ficar nos dogma, nem ter medo de ser anatematizados, excomungado ou amaldiçoado.

A alquimia não se criou para tirar-nos nossas posses ou fazer-nos mudar de religião idéias, sentimentos etc., a alquimia foi, é e será o único caminho que nos permita atravessar a porta estreita, e assim chegar ao Filho, o Cristo.

Precisamos estar dispostos a ver todo o mistério do sexo, com uma mente livre de preconceitos ou tabús, já que o que é criado por Deus, nunca pode ser motivo de vergonha, senão mais bem de respeito e exaltação.

É a todas luzes a alquimia o caminho secreto, o caminho estreito, portanto a única via para o conhecimento de todos os mistérios.

Platão nos ilustra seu sentir sobre o amor, em seus “Diálogos”: O amor, como disse ao princípio, não é de seu nem belo nem feio.  É belo, se se observam as regras da honestidade; e feio, se não se tem em conta estas regras.

Ademais, a isto Sta. Teresa de Jesús adicionaria: E se começa sobre areia, darão com tudo no solo (Entendamos a palavra areia como teorias)

¡ Não são teorias o que precisamos, senão uma guia de trabalho prático e seguro!

Chegou a hora de que uma vez mais os textos de alquimia, não-só vejam a luz, senão que cheguem a quem sinta anseios de trabalhar a favor de seu Pai que está em segredo, de uma maneira eficaz, realista e voraz.

Deixemos de ver os textos alquímicos como heeroglíficos indecifráveis, pois hoje em dia já não se fala de maneira velada, é o momento de compreender o que tantos anos esteve oculto. Os tempos nos que vivemos, nos premiam, e precisamos subir a arca, para empreender uma viagem que nos leve até terra fértil, onde podemos seguir trabalhando.

Passamos dos livros aos fatos, já que para nós finalizou o tempo em que o intelectualismo brilhasse por suas exposições.

É, insistimos, o momento de passar a um trabalho sério e profundo, todos estamos chamados a realizar a Magna Obra, os resultados só dependerão de nosso amor para o mais elevado; o Criador de todas as coisas.

Raimundo Lulio, que nasceu em Palma de Maiorca (Espanha) em 1233 e morreu lapidado em Bujía (Tunes) em 1315 diz: Ao originar a ignorância os homens não podem cumprir a obra...

Por outra parte se surpreenderia o leitor se pudesse comprovar que este trabalho não é novo para ele, se sua memória lhe fosse fiel ficaria atônito ao recordar, que está retomando o que no passado deixou inconcluso.

No livro de inspiração Chinesa e com uma grande influência do “TAO” “O segredo da flor de ouro”  lemos o seguinte: Quando um se põe ao trabalho, deve avançar do manifesto ao profundo do inicio ao fim. Tudo depende de que não tenha nenhuma interrupção. Princípio e fim do trabalho devem ser um. Entre o meio há momentos mais frios e mais cálidos, isso é evidente.

Tomás em seu evangelho apócrifo gnóstico nos assegura que: Jesús disse: Se conheces o que está diante de tua vista, te será desvelado o que está oculto, pois não há nada secreto que não se manifestará.

Meurois-Givandan já mencionados com anterioridade e que posteriormente seguiremos fazendo novas alusões transmitem a seguinte mensagem:

Compreender bem que a quem encarregamos de falar em nome da Força de Cristos não pode ter mais escudo do que o amor inconmensuravel do todo. Seguramente estimareis que é uma imagem muito gasta, Irmãos, Mas o fogo que a anima é inextinguinavel por sua essência! Aprendei a não alimentar ressentimentos para quem executa um ato contrário à evolução luminosa. Não é a ele a quem há que combater senão a força de escuridão da qual só representa momentáneamente o instrumento, com freqüência inconsciente, por impotência ou total ignorância. Amigos, dizei-o bem, a inconsequencia é o que alimenta e engrossa a negritude. Não se luta contra homens senão contra impulsos que os fazem agitar-se como marionetes. A solução reside na reconversão da energia que origina esses incitamentos.

Se vosso amor não sabe operar semelhante transmutação, o raio da escuridão resurgirá sob outras formas talvez mais insidiosa. As lidas verbais e outras demonstrações de poder não vos serão de nenhuma utilidade. A oferenda de Amor puro e incondicional sob seu rosto mais nobre e, finalmente o manejo do verbo verdadeiro são as únicas forças consoladoras e reparadoras...

Escalai vossa própria montanha. Todos recebestes o Graal em herança.

Se estudamos o livro dos céus o zodíaco maravilhoso, podemos compreender que a nova Era de Aquário está governada pelo signo zodiacal de Aquários, o transportador da água.

O símbolo de Aquários é uma mulher com dois cântaros cheios de água; trata de misturar inteligentemente as águas dos dois cântaros, este símbolo vem recordar-nos a alquimia sexual.

Se em Peixes o homem só foi escravo no instinto sexual simbolizado pelos dois peixes entre as águas da vida, em Aquários o homem deve aprender a combinar inteligentemente as águas da existência, deve aprender a transmutar as forças sexuais.

Aquários está governado por Urano, o planeta que rege as funções sexuais... Desta maneira nos develam os mistérios do zodíaco, de que 12 elementos foram e são extensamente conhecidos e usados no trabalho alquímico.

Os Doze Degraus dos Alquimistas

Primeiro Degrau:

Putrefação:
As águas são negras, simbolizadas com o Corvo Negro. Neste primeiro degrau, o principiante só tem o Mercúrio Bruto.

Segundo Degrau:

Conjunção:
Se realizará a união Do Mercúrio e o Enxofre, –Fogo–. Agora há que “cozer e recocer” até unir as “naturezas opostas”.

Terceiro Degrau:

Separação:
Neste estádio do trabalho Alquimista, durante a conexão ou “Coito Químico”, o yogui e a yoguina devem separar de tão sagrado ato o Enxofre venenoso, o fogo bestial do abominável Órgão Kundartiguador e o Mercúrio Seco, os “yoes” ou defeitos psicológicos. Isto é o que se chama Refinar o Sacramento do Amor, separando “a fumaça das chamas”, “o sutil do denso”.

Quarto Degrau:

Solução:
O Mercúrio já abandonou a cor negra e se converteu numa “solução favorável” pronta para receber o Fogo Sagrado; aqui as águas são amarelas, simbolizadas com o águia amarela.

Quinto Degrau:

Calcinação:
O Mercúrio recebe o Fogo Sagrado e se converte em Mercúrio Sulfúreo, ou Enxofre Mercurial.

Sexto Degrau:

Sublimação:
De aqui em adiante há que redobrar a vigilância, cuidando a prática, a fim de que não apareça a negrura; é dizer, deve-se refinar muito o ato amoroso, com o propósito de sublimar esta natureza.

Sétimo Degrau:

Cibação:
Ele termino “Cibação” em rigorosa Ciência Alquimista significa que o mercúrio sulfuroso ou Enxofre Mercurial começa a criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser e a dar-lhes consistência.

Oitavo Degrau:

Coagulação:
  Nesta etapa, o Mercúrio Sulfúreo coagula em nossa anatomia oculta, sob a forma de Corpos Existenciais: primeiro o Astral, depois o Mental e mais tarde o Causal.

Nono Degrau:

Fermentação:
Nesta etapa, há que esperar que fermente o Composto, e para que fermente é necessário Morrer em si mesmos, pois caso contrário não é possível tirar-lhe aos Corpos Oxido Mercurial” –os “ions”–. Em linguagem alquimista, a este processo se lhe denomina “Fermentação do Fermento .

Décimo Degrau:

Exaltação:
Entre o “augusto silêncio dos sábios”, o prodígio se consuma pouco a pouco e o trabalho recebe sua Exaltação, ao ser Qualificado. Então os Corpos Existenciais se convertem em Ouro Puro.

Décimo primeiro Degrau:

Multiplicação:
Estádio do trabalho Alquimista no que se adquirem as virtudes da Pedra Filosofal. O Mercúrio Sulfuroso atua no trabalhador da Grande Obra, revelando-lhe coisas inefáveis, permitindo-lhe recapitular mistérios, etc. Em outros termos, ativam-se os poderes da Pedra Filosofal.

Décimo segundo  Degrau:

Projeção:
O Mercúrio sulfúreo pode projetar sua força, é dizer, manifestar seu poder em qualquer dimensão. Os antigos Alquimistas projetavam ouro através das gemas de seus dedos, e esses átomos ficavam vertidos em água. Então, com um contagota, deixavam cair gotas desse composto sobre chumbo derretido, ficando este convertido em ouro físico.

Portanto os trabalhos alquímicos estão vinculados com o microcosmos homem  e longe de ser uma fantasia é uma realidade muito evidente para quem se põe a trabalhar sobre si mesmo

Por Grande Obra se entende a culminação do trabalho alquímico.

Quem tem os dois aspectos, masculino e feminino.

Não entraremos nesta obra em detalhe sobre as vias seca e úmida do alquimista.