II    O Eleito

Hermes Trimegisto, o três vezes grande disse: O que estava oculto e escondido se fará manifesto.

Quem foi eleito para entrar a trabalhar na Obra do Pai, é como o sacerdote, que foi revestido com as faculdades próprias de seu cargo. Aguardam ao aspirante a alquimista provas e dificuldades próprias do nível em que se encontre. De alguma maneira, aquele que inicia a cozer a semente, para poder conseguir o composto necessário, retira-se da vida vulgar, os lugares de entretenimento desta época já não lhe motivam, fazem parte de um passado escuro e pelo mesmo carente de luz, as línguas de duplo sentido, o insulto e a blasfemia, não são boas conselheiras, para quem foi eleito para trabalhar como alquimista, começa a morrer a uma vida mecânica...  Onde a ilusão faz parte da vida junto a fantasia  

Onde a falta de consciência, é o comum denominador da sociedade.

Onde a falta de valor na palavra é moeda de todos os dias.

Onde a mentira é o meio para justificar nossa negligência.

Onde o orgulho, faz-nos sentir superiores aos demais

Onde vemos a nosso irmão o homem como um ser inferior.

Onde nos aproveitamos das debilidades dos demais para nosso benefício.

Onde as limitações culturais de quem não foi educado como nós nos é motivo de superioridade.

Onde as necessidades de quem tem menos é motivo para escravizá-lo e assim conseguir nossos caprichos egoicos.

Onde a ironia, converte-se na burla sutil de quem se considera com boa educação.

Onde o aborrecimento, é conseqüência de uma apatia cada vez mais densa.

Onde os ciúmes, não nos permitem viver, nem deixamos que os demais vivam em liberdade, convertendo-nos em réus de nossa fantasia.

Onde a infidelidade é tão normal que nos parece natural.

Onde a acumulação, faz que nos convertamos em avarentos

Onde a preguiça, tem-nos tão impedidos que estamos aprezados a um condicionamento falso e torpe, que se manifesta em nosso estado não só físico, senão também mental.

Onde a ira, embebeda-nos em nossos ódios e destruímos o que mais queremos.

Onde a luxúria, submete-nos a esta vida, resgatando de nosso subconsciente as mais baixas paixões, assim os instintos sexuais não controlados nos induzem a cometer atos pasionais, fora de toda ordem.

Onde a gula, faz-nos viver desmedidamente.

Onde a inveja, não nos permite aceitar nossa própria realidade, fazendo-nos sofrer por aquilo que outros têm.

Onde os nacionalismos nos impedem aceitar os valores de outros povos.

Onde...

Admitindo estes estados psicológicos e emocionais ou outros cuja raiz é o ego, (que assim mesmo, fazem parte de nossa realidade diária) o eleito pode chegar a sua própria morte psicológica, fazendo que sejam sepultados todos os inquilinos não desejados, que de alguma maneira são uma obstrução para chegar a nosso segundo nascimento.

Ao mesmo tempo que há morte psicológica, produz-se não só o segundo nascimento , senão o florecimento das virtudes de todo trabalhador na Obra  bem como na Grande Obra; Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.

As provas de morte (psicológicas) fazem que o eleito se turbe, a amargura se faz presente e a continuidade se vê ameaçada, é aqui quando o neófito, deve superar as provas a que é submetido. A tristeza embarga ao caminhante, é mais complicado este caminho que o que tem simples vista pudesse parecer. 

É o momento de recolher-se e orar. Algo nos faz sentir que estamos recuperando nossa antiga sabedoria. No Templo coração, guardam-se as mais elevadas verdades, os tesouros espirituais mais puros, onde em silêncio aguardam nossos Pais internos, o regresso do filho pródigo, aquele que vendeu sua primogenitura por um prato de lentilhas. O materialismo foi o que compramos quando caímos no erro e nos retiramos da casa de nosso Pai.  

Nos momentos de tribulação, devemos manter-nos serenos, procuremos consolo nos braços de nosso Ser. Em sua mão destra, porta o mundo, um mundo espiritual, um microcosmos, que reflete segundo Fulcanelli, “Uma parcela do caos primordial destinado, pela vontade divina, a renovação elementar nos três reinos...  esse caos convertido em corpo contém confusamente a mais pura semente e a mais próxima substância que existe dos minerais e dos metais”.

E adiciona Basilio Valentin no livro das doze chaves: (uma semente que) Foi reservada pelo criador e noiva a geração só dos metais.

É necessário dirigir nosso coração para Deus, hoje mais do que nunca, Ele sabe o que precisamos melhor do que ninguém. “Pedi e se vos dará”. Façamos nossa petição, oremos, e que essa oração, seja perseverante, para que assim sua misericórdia se apiade de nós, e sejamos eleitos para trabalhar com fogo e água, como verdadeiros adeptos no caminho de Santiago. Caminho acessível aos eleitos, aos mortais valorosos, sábios e perseverantes, que não se separam de seu Stella Maris e à que com imenso amor e humildade lhe pedem o favor de guiá-los junto ao I A O.

A Alberto Magno foi atribuído o Ave Praeclara, hino cheio de alusões alquímicas: Salve, estrela resplandecente do mar, María nascida divina para alumiar aos povos. Virgem, ornamento do mundo, rainha do céu, eleita de entre todas, como o sol, formosa como o fulgor da lua. Faz que da doce fonte que emanou da rocha no deserto com grave fé, bebamos e que se cinjam as cinturas banhadas no mar, e que se contemple a serpente de Bonze na cruz. Faz oh! Virgem, que te converteste em Mãe pelo fogo santo e pelo verbo do Pai que você levaste, como a sarça ardente, que nós, diferentes pela pele, acercamo-nos a ti, com o pé, com puros lábios e com o coração.

Raimundo Lulio ante a seriedade do tema e numa época restringida a uma maneira de pensar muito específica diz: Se desvelas isto serás condenado. Tudo vem de Deus e tudo deve regressar a Ele, por conseguinte conservarás para Ele só, um segredo que somente lhe pertence e a Ele. Se por algumas palavras ligeiras desses a conhecer o que exigiu tantos anos de cuidados serias condenado sem remessa, no juízo final por esta ofensa à majestade Divina.

Vemos, portanto, que o segredo do arcano ou dos alquimistas nem sempre se entregou de maneira gratuita ou aberta, ainda que sempre se manteve às Hierarquias Divinas, como únicas vias de acesso ao grande enigma.

A quem se lhe mostra o caminho, definitivamente, é um eleito, onde o Pai deposita seus anseios de autorrealização, já que se lhe revela o mais transcendental da natureza.

Em múltiplas ocasiões se entregou a chave velada, como assim o feze Morien: Oh nobre rei, deveis saber também que toda perfeição deste magistério consiste em tomar os corpos, que são consortes e que são semelhantes. Pois esses corpos, mediante um artífice natural, estão juntos e unidos sustancialmente um ao outro, e concordam, dissolvem-se e se recebem um ao outro, fertilizando-se e aperfeiçoando-se mutuamente.

Ou como podemos ler no Bhagavad Gita, (neste caso advertindo-nos do que nos espera se não conseguimos o segundo nascimento) em seus textos  24 e 25 correspondentes ao capítulo 8, agora combinado o conhecimento com kabala numérica:  Aqueles que conhecem ao Brahman Supremo deixam o mundo durante a influência do Deus Ígneo, à luz, num momento auspicioso, durante a quinzena da lua, e durante os seis meses quando o sol viaja pelo norte. O místico que deixa este mundo durante a fumaça, a noite, a quinzena sem lua, ou durante os seis meses quando o sol  passa pelo sul, ou que chega à lua, regressa outra vez.

A diferença de outras religiões, no Bhagavad-Gita, se falam abertamente do renascimento, ou tomar um novo corpo, na seguinte existência, isto é a todas luzes uma verdade, comprovável para quem acorda a consciência, pelo mesmo nestes trabalhos de ordem Superior é a minoria quem numa só vida pode chegar a seu desenvolvimento total como homem ou mulher, deixando adiada a consumação da Obra de transformação ou transmutação, a maioria; sendo um perigo não o concluir numa só existência, pois ninguém nos assegura, que podamos ter tantas vidas como vezes que adiemos a consumação do trabalho alquímico.

Temos que diferenciar entre neófito, que seria o que se aderiu recentemente, e adepto, que é o que esta filiado, já que segundo dizem os filósofos da arte hermético, os adeptos são os que receberam o Dom de Deus, é dizer, a única e elevada inspiração que permite a consumação da Grande Obra.

Dizem os Alquimistas, portanto, Mestres da Loja Branca: Deus outorga a sabedoria a quem lhe ressoa e a transmite pelo Espírito Santo, luz do mundo. Por isso a ciência se considera um Dom de Deus, em outra época reservada a seus ministros, de onde surge o nome de Arte sacerdotal que levava em sua origem. O eleito se converte em neófito e prossegue em seu empenho, em adepto. Bem merece o esforço necessário para chegar a converter-se em adepto...

Não há graça na terra que se lhe compare a graça Divina. O adepto recebe então a tríplice coroa da iluminação; Omnipotencia, Omnisciencia e Gozo do amor divino eterno, assim nos faz saber em seu livro “Alquimia”, Klossowski de Rola, S

.Os banhos de purificação são necessários para o aspirante à perfeição. O banho é sinônimo de ablução, banho ritual ou lavagem. Assim Tauler, místico europeu diz: Tive que me esvaziar de mim mesmo... Desde então estou pedido neste abismo. Deixei de falar, sou mudo, sim, a Divindade me engoliu.

Ficamoos surpreendidos em sua precisão e conhecimento tão vasto, quando afirma: Juan é o patrono dos que fazem ouro, aos Mestres da Loja Branca, se lhes chamam Irmãos da ordem de San Juan.

Mas dificilmente pertenceremos com todos nossos direitos, e obrigações a tão Bendita ordem, se em nós não se manifestam as virtudes do trabalho na Obra do Pai.

A Justiça leva a espada e a balança e jamais variará.

O atributo essencial da Prudência é a serpente, à que a vezes, adiciona-se um ou muitos livros e mais tarde um espelho. Igualmente, quase desde a origem, por uma idéia análoga à de Dante, que tinha atribuído três olhos a sua Prudência, os artífices deram dois rostos a esta virtude.

A Temperança guarda a vezes sua espada na bainha, mas o mais frequente é de que sustente duas vasilhas e pareça misturar água e vinho; trata-se do elementar símbolo da sobriedade.

Por último a Fortaleza apresenta os atributos de Sansão. Está armada com escudo e cetro, umas vezes, tem a pele de leão na cabeça e um disco que figura o mundo nas mãos, e outras vezes, finalmente, e este será seu atributo definitivo ao menos na Itália, leva a coluna inteira ou rompida.

Requer-se ser equitativo com os demais, não nos servir de suas debilidades e muito menos, ver como podemos beneficiar-nos de nosso conhecimento em contra de sua ignorância.

O leão da lei vigia todas nossas ações e pensamentos, portanto, nada escapa à lei Divina, a balança se inclinará de acordo a nossas obras. Dois são as possibilidades: ou bem para o lado de nosso Ser, que espera compensar nosso trabalho, ou para o lado de nossa vida materialista, que nos leva à deriva das flutuações circunstanciais. Assim a espada da justiça sempre esta marcando o limite de nossas ações. Não se deixar levar pelos instintos, atuar por consiguiente com prudência, guardar fidelidade e saber esperar, são algumas das premissas necessárias para pertencer à ordem de San Juan. 

Requeremos de uma armadura que nos proteja de nossos inimigos, justamente, nossa maior e ótima proteção a encontraremos na doutrina gnóstica...  

Nossa Fortaleza não só tem de ser espiritual, senão também física, para poder avançar no caminho estreito que nos conduza para a vitória final. Depois de ter modelado e regulado as paixões humanas, poderemos conseguir a Temperança necessária para sair triunfantes de tão elevada batalha.

Vejamos que nos diz o novo Testamento na epístola primeira de San Pedro, C.IV,V.3: Porque demasiado tempo passastes durante vossa vida anterior abandonados às mesmas paixões que os pagões, vivendo em lascivias, em cobiças, em embriaguezas, em glotonerías em excessos nas bebidas e em idolatrias abomináveis.

Se existe uma esperança, é a que os alquimistas de todos os tempos têm proclamado, e esta esperança, radical em afastar-se do caminho largo, e entrar no caminho estreito para passar pela porta estreita.

Meurois-Givandan fazendo eco dos habitantes da mágica região do Shambhala comentam:

“A humanidade passa hoje pelo umbral da morte iniciática. As civilizações e as criaturas terrestres, em todos os níveis, se moldam no Athanor que se têm moldado. Não é nem um bem nem um mau senão uma realidade necessária. Por isso a regeneração iniciada faz duas mil anos conhece agora a continuação de seu desenvolvimento. Por isso também soou a hora no Grande Relógio de que Shambhala se dirija de maneira direta aos homens..., ou pelo menos aos que querem converter-se em Homens. Por isso, finalmente, vos guiaremos neste reino ao que chamamos também Shangri-La... Há que alimentar o fogo do Athanor.”

É hora de terminar com a deterioração de nossa vida. Por muito tempo fomos muito superficiais, e nos contentamos, com o que vivenciamos através de nossos sentidos físicos; Vista, ouvido, tacto, olfato e gosto.

Existem outros sentidos, que podemos desenvolvê-los por nós mesmos a veracidade oculta, estas faculdades há que as conseguir, não vêm por casualidade, senão melhor por causalidade, pelo que a ninguém se lhe dá aquilo que não está disposto a trabalhar para conseguí-lo.

Todos os metais se dissolvem em mercúrio, e o mercúrio é a base do trabalho alquímico, mas que metais são os que devem dissolver-se no mercúrio? ; antes de mais nada, temos que entender que os metais, não são os minerais como o ferro, estaño, chumbo, cobre, etc., os metais neste caso são nossos defeitos de tipo psicológico, aos que fazíamos alusão anteriormente, eles como a parte mais pesada em nós, são os que nos afastam de nosso Real Ser, ou Deus interior; para manter-nos iludidos com a vida materialista, e portanto, devemos destruí-los, dissolvê-los, com nosso mercúrio, é dizer, com a energia mais potente que tem todo humano, aquela, que é capaz de dar vida a um novo ser.

Um corpo sólido, como é o gelo, com a ação do calor se dissolve para convertê-lo em líquido, se esse calor é mais intenso, o mesmo líquido termina evaporando-se. Da mesma maneira nossas águas mercuriais podem ser evaporadas, com a ação do calor e do fogo.

Nas estrelas os átomos de hidrogênio, helio, carbono e nitrogênio se transformam constantemente uns em outros.

Na terra os corpos das três séries radiativas do actinio, o torio e o rádio, mudam várias vezes de natureza mediante perda de partículas até converter-se em chumbo estável.

Nos reatores nucleares se produzem transmutaciones e também se obtêm estas artificialmente bombardeando os corpos com partículas aceleradas.

Como podemos comprovar a transmutação é um fenômeno muito comum na natureza, pelo que nos perguntamos, por que em nossa natureza humana, não se dá?, ou  talvez se dê, se seja possível, mas o esquecemos?.

Devemos saber que a transmutación alquímica, foi um fato e segue sendo uma realidade, para quem foi eleito para trabalhar de maneira religiosa, não se ficando atado em nenhuma fórmula dogmática de crença senão melhor, procurando o profundo significado da palavra, que nos faz religar ou voltar-nos a unir. A alquimia não é uma crença, é um ato de fé %[1].

Quem foi eleito para empreender esta tarefa, não sabe se seu final, será coroado com o triunfo, nem se lhe garante algo que pudesse exigir num momento dado, só sabe que está posto no caminho correto.

Encontraremos muitas desvios que a simples vista nos possam parecer úteis, mas em seu engano se esconde o fracasso, não devemos desviar-nos do caminho reto, pois ele, conduz-nos para a luz do Pai.

Apesar das boas intenções de quem nos aconselhe num momento dado, é mister que nossa prioridade esteja no céu, que seja o máximo, que vibre nossa consciência ávida, enquanto as necessidades na terra serão cobertas por nosso Pai-Mãe, que segundo Santo Agostínho: Ele é mais íntimo a mim, que eu mesmo.

Se compreendemos o caminho da alquimia, com tudo o que implica este labor, sejamos consequentes em pensamento e obras, para que nossas transmutações sejam cheias de glória, poder e força.

No Evangelho segundo Tomás Apócrifo-gnóstico, versão bilingue castelhana no V. 82, pode-se ler o seguinte: Jesus disse: Aquele que está perto de mim está perto do fogo, e aquele que está longe de mim, está longe do Reino.

Salamandra em latim (salamandrae), vem de sal e mandra, que significa estábulo e também cavidade de rocha, solidão, eremitorio. Salamandra é pois, o nome do sal de estábulo, sal de rocha ou sal solitário. Vemos que depois deste nome aparentemente irrelevante existe toda um ensino alquímica, que proporciona desordem a quem não controla as suas salamandras  (elementar do fogo) e pelo contrário quem é capaz de ordená-las se põem a sua graça. Assim quem sabe ordenar e organizar a estes elementares  ígneos  cria um novo reino de paz, amor e felicidade. Assim mesmo temos o caso do nascimento de Jesús  (O novo Sol)  que nasce num estábulo em solidão e quem o mesmo Rei dos Reis dissesse: “Eu sou o Espírito e a vida, e vim empregar fogo às coisas”.

Assim mesmo e seguindo com o Evangelho segundo Tomás Apócrifo-gnóstico no V. 49, podemos ler: Jesús disse: Bem aventurados os solitários e os eleitos, pois encontrareis o Reino, pois saístes dele e de novo voltareis a ele.

Cada homem que se afasta da sombra já é sacerdote no fundo de seu coração.

Ontem, hoje e amanhã, a Grande Fonte cuidou, cuida e cuidará de separar os quatro elementos primários.

Os quatro elementos primários se acham juntos, dois a dois, na pedra em formação, porque o sal possui em si o fogo e o ar necessários para a união do enxofre terra e do mercúrio água.  

Víctor Hugo, o grande humanista (iniciado), escreveu o seguinte:  

O homem é a mais elevada das criaturas.

A mulher é a mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono; para a mulher um altar.

O trono exalta; o altar santifica.

O homem é o cérebro.

A mulher o coração

O cérebro fabrica a Luz; no coração produz o Amor.

A Luz fecunda; o Amor resucita.

O homem é forte pela razão

A mulher é invencible pelas lágrimas.

A razão convence; as lágrimas comovem.

O homem é capaz de todos os heroísmos

A mulher de todos os martírios.

O heroísmo enobrece; o martírio sublimiza.

O homem tem a supremacia

A mulher a preferência.

A supremacia significa a força; a preferência representa ao direito.

O homem é um gênio

A mulher um anjo.

O gênio é imensurável; o anjo indefinivel.

A aspiração do homem é a suprema glória.

A aspiração da mulher é a virtude extrema.

A glória faz todo o grande; a virtude faz todo o divino.

O homem é um código.

A mulher um evangelho.

O código corrige; o evangelho aperfeiçoa.

O homem pensa

A mulher sonha.

Pensar é ter no crânio uma serpente; sonhar é ter na testa uma auréola

O homem é um oceano

A mulher é um lago.

O oceano tem a pérola que enfeita; o lago a poesia que deslumbra.

O homem é o águila que voa.

A mulher é o rouxinol que canta.

Voar é dominar o espaço. Cantar é conquistar o alma.

O homem é um templo.

A mulher é o Sacrário.

Ante o templo nos descobrimos; ante o Sacrário nos ajoelhamos.

Em fim o homem está colocado onde termina a terra. A mulher onde começa o céu.

Se em algum momento chegamos a pensar que o papel da mulher, no caminho da auto-realização, era notadamente passivo, e intrascendente e ambíguo, temos que dizer que nada mais longe da realidade, pois à Mulher sempre esteve como peça imprescindível nas culturas que tiveram o conhecimento por experiência própria e que souberam da importância de sua parte conciliadora em todo o universo, já que é bem verdadeiro e ninguém o pode negar na criação de qualquer coisa sempre existe o elemento feminino e portanto nunca foi uma parte secundária senão não complementaria com a parte masculina.

Nos tempos do antigo Egito, o neófito que aspirava a ser alquimista, para acordar o Divino Fogo, tinha de casar-se com uma mulher madura, mas se o fazia com uma jovem, tinha de demorar alguns meses antes de efetuar a conexão sexual, e entre as condições matrimoniais estava ele ter que obedecer a sua mulher, à qual se sujeitava com muito gosto o alquimista...

Alberto o  Magno como Santo Tomás, afirmou a realidade da alquimia.

Seu tratatado sobre tal matéria estava sempre sobre a mesa do Abad Tritemo. Tritemo contava que quando Guillermo II, conde de Holanda, ceou com o ínclito e preclaro sábio Alberto o Magno, este fez pôr uma mesa no jardim do Mosteiro, ainda que era pleno inverno e nevava... tão cedo os convidados tiveram tomado assento, como por encanto desapareceu a neve, e o jardim se cobriu de variadas flores. As aves de diferentes cores voavam deliciosamente entre as árvores, como nos melhores dias de verão...

É ostensível que Fausto, Paracelso e Agripa, os três Magos (alquimistas) foram discípulos do Abad Tritemo. Recitem-me os quatro elementos da natureza,  ordenava o Abade a seus monges em plena classe, “a terra, o água, o ar e o fogo.” Se (continuava o mestre) a terra e o água, os mais pesados, vêem-se atraídos para abaixo; o ar e o fogo, mais ligeiros, para o alto.

Platão tinha razão ao fundir o fogo no ar, que se converte em chuva, que se converte em orvalho, que se converte em água, que se converte em terra ao solidificarse.

Os velhos alquimistas dizem: Que vosso fogo seja calmo e suave, que se mantenha assim todos os dias, sempre uniformes, sem debilitar-se, se não isso causará grande prejuízo.

Se nosso fogo não é controlado, de pouco pode servir o conhecimento da fórmula transmutatoria; da mesma maneira que, quando o ladrão já está na casa de nada serve pôr os ferrolhos muito próximo.

O Mutus Livre, mostra a recolhida do orvalho ante os olhos de um carneiro e de um touro, emblemas evidentes dos meses solares primaverais no hemisfério norte.

Como podemos comprovar entre frases alegóricas ao trabalho o eleito, para realizar a Obra de transformação, deve saber como operar e quando descansar, um trabalho um tanto complicado em aparência, pois na prática é algo muito singelo; que não nos confundam em nossa vocação, pois como dissesse Goethe:

“Lei do homem triste e grave, indaga, luta, agita-se. O que mais precisa é o que menos sabe”.  

Ao homem comum e corrente, quem só tem como objeto em sua vida, comer, trabalhar e dormir; espera-lhe um final muito triste, pois quem não se preocupa de cultivar seu Espírito, pouco ou nada pode esperar depois, pois já se cobrou em vida com todo o material de que se foi rodeando...

San Alberto diz, que o homem espiritual deve dirigir o comércio carnal a um objetivo moral, e que uma função da sexualidade baseada só no prazer dos sentidos pertence aos vícios mais infamantes.

Homens espirituais, que sejam capazes de transmutar sua maneira de pensar, de ver, sentir e praticar o sexo, é ao que estamos chamados a converter-nos se para valer queremos chegar a ver florescer a rosa em nossa cruz.

Pois caso contrário , quem fora eleito para este mister, e não o praticar, se converteria numa semente sem germinar.

E como toda semente que não é capaz de brotar a vida que guarda em suas entranhas, terminará apodrecendo... Há que renunciar aos prazeres que outorgam as fantasias, pois se corre o risco de ficar-se atrelado no desejo, na ilusão e na mentira que nunca se dão por satisfeitas; levando a quem se deixe envolver em seus demoníacos encantos até a perda total de seus valores.

É lógico pensar que cada um de nos, devemos realizar um grande esforço, por apartar-nos de nossa natureza luciferina ou fogo pasional descontrolado, já que sem esse esforço, não é possível culminar um trabalho que em suas diferentes fases tem um grau de dificuldade diferente.

Purificar nosso fogo, no crisol alquímico, é nossa obrigação, se queremos fundir-nos com nosso Sol interior.

A substância ígnea por excelência que em todos existe e que a ignorância, na maioria dos casos faz que se consuma sem nenhum controle nem medida, desperdiçando um fogo tão necessário como o mesmo ar que respiramos.

Outros, quem em si conheceram o valor e poder do fogo, perdem-no por não se esforçar em mantê-lo na via centrípeta, e seguem permitindo que seus canais centrífugos continuem derramando, e portanto, desviando de seu curso natural, o bálsamo de sua atormentada vida...

De nada nos servirão então nossas muito boas intenções..., alem disso o que se nos pedirão serão fatos concretos e bem definidos de nossa vida, pois se nos valorizará e julgará por nossos atos e não por nossos desejos..., talvez poderíamos pensar num momento de nossa atual existência, que com nossa verdade será mais do que suficiente para poder ter direito a isso que se chama a “salvação”, no entanto a verdade é uma e a Lei se cumpre, e seu desconhecimento não nos exime de seu cumprimento.

A quem defende a postura de que por evolução, todos seremos salvos, temos que dizer, que sim é verdadeiro que existe a mencionada Lei; mas não podemos esquecer que também existe a Lei da involução... (que por certo uma vai com a outra totalmente unida)