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A vontade é a virtude que nos permite nos aprofundar
cada vez mais profundamente em nós mesmos.
Se nosso objetivo na vida é sentir a nossa
Divindade, como algo real e não dogmático, precisaremos de grandes doses de vontade
para não nos deixar arrastar por todas as provas nas quais
irremediavelmente teremos que participar. Algumas serão superadas facilmente,
mas em outras nosso pavor será tão grande que clamará ao céu. Portano admite ter se equivocado mais de 200 vezes.
O que nos faz pensar que assim mesmo mais de 200 vezes teve que retificar e sua
vontade foi, portanto, posta a prova tantas ocasiões quantas fossem
necessárias para chegar a um resultado esperançoso. |
Yabir Ibn Hziyan, alquimista árabe, que viveu no
século VIII, afirma o seguinte: É normal que o alquimista se
equivoque em repetidas ocasiões.
Pelo que podemos deduzir que precisamos vestir-nos com a armadura do conhecimento, bem como desenvolver a vontade constantemente.
É muito possível que a luz não a vejamos até depois
de vários anos, de fato, podemos dizer que a prática alquímica se resume
no melhor dos casos, a uma só vida.
Os verdadeiros titãns desta arte, são pacientes e
constantes, já que o mais comum e frequente é de que em cada vida que se nos atribui,
sigamos tentando e tratando de superar nossas próprias limitações
psicológicas.
É aqui, neste ponto, onde podemos compreender com
mais clareza, que o firme propósito de fazer aquilo que agrade a Deus, é
para os poucos que se revestiram com uma férrea e inquebrantável vontade.
Como exemplo temos o caso de Naxágoras que procurou por 30 anos.
Vos compadecería muito (escreve
Limojon de Saint Didir) se como eu, depois de ter conhecido a
verdadeira matéria, passásseis 15 anos inteiros de trabalho, no estudo e na meditação
sem poder extrair da pedra o precioso suco que encerra em seu
seio, por falta de conhecer o fogo secreto dos sábios, que faz destilar desta planta
seca e árida em aparência uma água que não molha as mãos.
Talvez
sejam estes conselhos superfluos, porque reclamam para sua posta em prática,
a aplicação de uma vontade obstinada de que são incapazes os medíocres.
Sabemos o que custa trocar os diplomas, os selos e os pergaminhos pelo
humilde manto do filósofo. Foi-nos preciso apurar, aos 24 anos (afirma
Fulcanelli em suas Moradas Filosofais)
esse cálice de porção amarga. Com o coração magoado, envergonhados dos erros
de nossos anos jovens, tivemos que queimar livros e cadernos,
confessar nossa ignorância e, como um modesto neófito, decifrar outra ciência
nos bancos de outra escola. E assim, para quem tiver a coragem de esquecê-lo
todo, toma-nos a moléstia de estudar o símbolo e despojá-lo do
véu esotérico.
A mente
é: o animal mais perigoso do alquimista. Se Simón o Mago tivesse dominado
a mente com o chicote da vontade, não tivesse caído no abismo. O
alquimista que se deixa levar dos raciocínios da soberba da mente,
fracassa na Grande Obra e cai no abismo, para não fracassar na Grande Obra a
mente deve voltar-se a um menino humilde e singelo. É impossível subir ao Pai sem
elaborar o menino de ouro da alquimia sexual. O menino de ouro é o Cristo
Intimo.
Assim é preciso guardar um equilíbrio psicológico,
com o fim de superar as tentações mais sutis, chegar a discernir tudo
aquilo que é correto em situações aparentemente incorretas, e reconhecer o
incorreto no aparentemente correto.
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Nicolás Valois no século XV disse: A
paciência é a escada dos filósofos e a humildade é a porta do seu jardim. Também O Cosmopolita, que realizou em público
algumas transmutações (escocês de nascimento), deixou-nos como uma de suas
obras mais interessante A nova luz química, na qual nos convida ao
trabalho continuado, mas com paciência. |
Vemos que os alquimistas não só estavam num país
ou num só continente, senão que melhor permaneciam repartidos por todo o
mundo, e todos vêm coincidir com o mesmo ensino e a finalidade no trabalho
Jacques Tesson escreveu estas palavras para valer
: Os que querem fazer nossa Obra mediante digestões,
destilações vulgares e sublimações semelhantes, e outros por triturações,
todos eles estão fora do bom caminho, encobertos em grande erro e dificuldade, e
privados para sempre de conseguir seu objetivo, porque todos esses nomes e
palavras e maneiras de operar são nomes, palavras e maneiras metafóricas.
A oração é mister que seja sincera, como quando um menino se dirige a sua mãe, de maneira espontânea...
Tudo o que seja mecânico e desprovisto de coração, não chegará a misericórdia de Deus.
Os pensamentos devem manter-se no mais puro, naaquilo que não conhece o desejo nem a maldade e a vontade firme.
Tudo tem um tempo, portanto , preparar o laboratório e trabalhar nele, com o fim de ver os progressos ansiados, levam seu tempo, pelo que uma vez mais há que se revestir de paciência e serenidade.
Se tantos anos ou séculos pudemos passar sem ter esta chave (a do Arcano), que não seja a impaciência nossa conselheira, portanto não nos deixemos levar pelo fácil e submetamo-nos a espera precisa, já que esse é o caminho que devemos percorrer.
Chegará um dia em que se operas em paciência,
receberás de tua própria natureza os frutos próprios da árvore do paraíso.
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Fulcanelli nos ilustra com suas palavras no momento
que se deve trabalhar: Uma coisa que nasce de noite que precisa da noite
para desenvolver-se e que só pode trabalhar-se durante a noite.
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É claro que não é capricho de ninguém o esperar a que
reine a majestade da noite, senão melhor é um processo lógico, normal e
necessário, porque de outra maneira não germinaria a semente...
O sábio se refugia na noite para trabalhar junto
com seu consorte, dispõem-se a mudar sua natureza.
Abandonamo-nos a vida por muito tempo,
tendo como resultado, uma desordem e o regresso ao caminho da iniciação
nos exige esforços de vontade continuados, ou melhor ainda, super esforços.
Precisamos de uma disciplina que nos impulsione sempre
para nossa meta. Que seja a favor do vento ou contra todos os ventos.
Nossa vida tem de ser e decorrer em completa
harmonia, não se trata de ir anunciando a discrição do que um vive e pratica,
melhor se trata de ser consequente com o que um está vivendo, pelo menos
dentro dessa interiorização que se requer, devemos ser pacientes
para poder desfrutar dos frutos da ação, em seu momento justo e não
antes.
Não pretendamos chegar a santos sem ter reconhecido
que somos diabos. Para converter-nos em santos, devemos destruir antes, todas
as imagens tenebrosas que carregamos em nosso subconsciente. Todos os filósofos
começaram do mesmo ponto, é dizer desde a ignorância.
O alquimista errante perde o tempo, só sua própria natureza pode fazer-lhe que retome o caminho correto, as advertências podem ser severas e pelo mesmo não lhe deixar descansar, até que retome ao caminho correto, o caminho da perfeição.
O homem é trazido à perfeita luz por quatro cavalos, que são: Vontade, Fé, Ajuda e Amor. O que o homem tem vontade de fazer, o faz, pois também tem o poder de fazê-lo. Um conhecimento desse poder é Fé, e quando a Fé se move, a alma começa a voar. A fé egoísta não nos conduz a luz. O peregrino não está solitário no caminho para a luz, e nunca escala as alturas se não ajuda a outro a atingí-las. O cavalo que toma a dianteira no caminho para a vida espiritual é o Amor; o Amor puro de egoísmos.
Será mister ter a paciência de Jó para poder
chegar ao nascimento segundo e não cair no abismo. Pelo que o alquimista,
como já comentávamos anteriormente, é provado muitas vezes. As provas tanto
nos mundos internos como no mundo físico, são postas pela Lei Divina,
aquela que tudo vê e que conhece de nós até o mais íntimo. Sua justiça
sempre é objetiva e imparcial e ainda que nos custe reconhecê-la receberemos
sempre o que merecemos. E isto não somente é aplicável ao caminho da iniciação
ou alquímico, senão também à mesma vida comum e corrente.
Diz-se que Deus escreve com escritos tortos, mas
não há dúvida que nada ocorre nem se move sem seu consentimento. Desta forma, é
necessário que nossa paciência seja inesgotável e que nossa humildade nos permita
entrar no jardim das delícias, onde possamos desfrutar de tudo
sem medo a ser reprendidos.
O alquimista ativo e já forjado na falsificação da pulsação de Vulcano tem uma regra, que como tal se obriga a cumprí-la. Não é uma conduta caprichosa senão, é o modo mais correto para seguir nesta via, sem medo a ver-se truncada em sua marcha para a auto-realizacão: Deve dizer pouco, fazer muito e calar sempre.
Diz-se que o silêncio é a eloquência dos sábios
um silêncio que implica respeitar aos demais, pois cada um mantém
suas próprias idéias, pensamentos e em general uma maneira de ver a vida segundo seu
critério. Portanto, não interferir nos demais, é saber que se encontram
num nível do Ser diferente...
A vida espiritual é conseqüência de um trabalho
interno, cimentado em experiências vividas e não em teorias lidas. Já que
afinal de contas as teorias não conduzem mais do que a encher com uns poucos dados
nosso intelecto, que inclusive num momento, possam ser que nos sirvam ou que
sejam um obstáculo em nosso desenvolvimento interior.
No trabalho alquímico, há momentos de repouso e
outros de ação, talvez a mente ordene e até exija descer a nona
esfera para unir-se com seu consorte, mas se o período que sei esta vivendo é
de repouso, deve respeitar-se. Nunca se deve violentar a natureza, é aqui
onde podemos comprovar a sabedoria inata da Mãe terra, convidando-nos a que
sigamos suas pautas.
Se há períodos de seca e outros de chuvas, é
porque se requer que todo fenômeno natural se vá localizando em seu lugar, de maneira
natural e não forçada.
O trabalho tem de ser com fogo vivo, que produza a
combustão requerida e com água que lubrique a terra onde devemos lavrar, assim
encontraremos tempo para semear, esperar e colher.
Os antigos designavam com freqüência a alquimia com o
nome Agricultura Celeste, porque oferece em suas leis, em suas
circunstâncias e em suas condições a mais estreita relação com a
agricultura terrestre.
Hoje por hoje podemos falar das coisas por suas
formas, mas falar das mesmas coisas por sua natureza é muito diferente, e afinal de contas
, o que mais nos interessa é chegar a raiz de tudo. Para isso
é mister que nos mantenhamos em serenidade, e bem alertas, para não nos deixar
levar pela fantasia e crenças de nossa palestra e medos mentais.
Nossa serenidade, vontade e paciência são provadas
constantemente, o alquimista deve converter-se num ser humano totalmente
equilibrado, longe já de ser vítima de seus desejos ou apetites carnais. O
animal do desejo, é tão dminador e avasalador que se não se está muito sereno
e firme no trabalho que empreendemos, termina subjulgando-nos em seu próprio
círculo vicioso, impedindo-nos pelo mesmo, prosseguir com força em tão magna
Obra.
A serenidade nos permite ver com sossego e a calma, a
ameaça que nos espreita; nossa calma consciente, nos permitirá observar e
retirar-nos para não ser atropelados pelo fogo arsenical ou fogo venenoso, que
o desejo descontrolado leva em suas entranhas. A luz arsenical, é aquela que
nasce dos instintos mais pasionais do indivíduo, inclusive poderíamos dizer
também, de nossos apetites carnais, sexuais.
O fogo ou luz arsenical, é alimentado por nossos
defeitos de tipo psicológicos, é o que os alquimistas do medieval vinham qualificar como o
mercúrio seco, o qual deveria ser eliminado para que se
pudesse desenvolver o trabalho com o mercúrio vermelho, imprescindível para que o
enxofre o possa fecundar e assim dar passo ao segundo nascimento.
É importante que saibamos caminhar, de maneira firme e
sem dúvidas, já que a estrada é longa e as dificuldades nos espreitam
constantemente. O símbolo adquire nesta filosofia uma grande importância, já que
é o modo e o meio pelo qual se transmite o ensino regenerador que
estamos estudando e como novos aplicando-o segundo a capacidade de entendimento
na que nos encontramos.
A serpente com cabeça de touro ou gamo ou
inclusive, com cabeça de cachorro, costumam fazer alusão ao fogo animal, que está
em cada um de nós.
Em muitos casos o símbolo é dual, pelo que há
que ver o emblema sem preconceitos e compreendendo muito bem todo seu significado.
Por exemplo, se dissemos primeiramente que a serpente com cabeça de touro
alegoriza ao fogo animal, também diremos que esta mesma divisa
pode fazer alusão ao verbo, ( a palavra.)
A serpente com cabeça de cachorro, é uma alegoria ao
mercúrio da filosofia secreta, mediante o qual se pode realizar a Grande
Obra.
Assim encontramos uma alusão a serpente
regeneradora no Bhagavad Gita em seu texto 28 C. 10: Das armas
sou o raio; entre as vacas eu sou a Surabhi, produtora de abundante leite.
Entre os procreadores eu sou Kandarpa, o deus do amor, e das serpentes
sou Vasuki, a principal.
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Um exemplo claro da dualidade
do símbolo o temos na serpente
de bronze que curava aos israelitas
no deserto e a serpente Pitón de sete cabeças que Apolo feriu
com seus dardos. A primeira faz alusão a parte regeneradora chamada pelos
hinduistas Kundalini, e a segunda, a serpente tentadora ou
degeneradora. Falando da doutrina dos Naasenos, Hipólito
diz que a serpente mora em todos os seres e coisas, como se os seres fossem
os templos. Á serpente se consagra todo santuário, toda iniciação
e todo mistério. Isto nos faz recodar (diz, C. G. Jung) imediatamente a
seguinte frase da Tábua Esmeraldina: Este é o Pai da realização de todo
o mundo. |
Estes Naasenos dizem que a serpente é a substância
úmida, exatamente o que dizia também Tais de Mileto para quem a água
era o elemento originário, e que nenhum ser em geral, nem os imortais nem
os mortais, nem os vivos, nem os inanimados, possam existir sem ela.
Esta definição da serpente coincide com a do
mercúrio alquímico, que é igualmente um água, precisamente a água divina. É
o úmido radical e o espírito da vida, que mora não só em todas as
criaturas vivas senão como alma do mundo, em todo o existente.
Hipólito continua: A ela (a serpente)
estão subordinadas todas as coisas, e ela é boa, e contém em si tudo,
como no corno do touro unicórnio. Ela dá a beleza e a maturidade
de todos os seres... De sorte que a serpente é, o mesmo que o
corpo do unicórnio, um antídoto e ainda o princípio que faz madurar e
realizar todas as coisas.
Adiciona Hipólito: A serpente o penetra
todo pois é como se provisse do edén e
se dividisse em quatro princípios.
Em continuação coloquemos atenção ao seguinte monólogo, o qual descreve com uma precisão inigualável a nossa serpente:
Sou o dragão ensopado
de veneno, que está em todas partes, e ao que facilmente se pode atingir.
Aquilo sobre o que descanso e que descansa em mim, será captado por aquele que
oriente sua busca segundo as regras da arte. Minha água e meu fogo destroem e
reúnem; de meu corpo extrairás ao
leão verde e vermelho. Mas se não me conheces bem, destruirás teus cinco sentidos
com meu fogo. Meu nariz exala cada vez mais forte um veneno que causou a
morte a muitos. Por isso precisas separar com arte o grosseiro do fino, se não
queres deleitar-te com a pobreza extrema. Presenteio-te as forças do masculino
e do feminino, bem como também as do céu e da terra. Com valor e
amplitude de ver tens que manejar os mistérios da minha arte, se me queres vencer
com a força do fogo, no que muitos sofreram danos em seus bens e seu
trabalho. Sou o ovo da natureza, só conhecido pelos sábios, os que,
piedosos e modestos, obtêm de mim o microcosmos, preparados por Deus, o Altísimo,
para todos os homens, mas concedido só aos menos, enquanto os mais o
ansían inutilmente, a fim de que com meu tesouro possam fazer bem aos pobres
e não subordinem sua alma ao ouro perecedor. É chamado Mercúrio pelos filósofos;
meu consorte é o ouro (filosofal); Sou o velho dragão, que se encontra além
no globo terrestre, pai e mãe, jovem e ancião, muito forte e muito
débil, morte e ressurreição, visível e invisível, duro e macio; baixo à terra
e subo ao céu, sou o superior e o inferior, o mais ligeiro e o mais
pesado; com freqüência se investe em mim o ordem da natureza, pelo que
respeita a cor, número, peso e medida; em mim está encerrado, saio do
céu e da terra; sou conhecido e não existo por completo nem em absoluto; em mim
luzem todos as cores e todos os metais, graças aos raios do sol. Sou o
carbunclo do sol, a nobilísima terra aureolada, por meio da qual pode
transformar em ouro o cobre, o ferro, o estanho e o chumbo. (Aurelia
Oculta, parte II)
Esta claro, que os
mistérios encerrados nas frases veladas eram dirigidos só a quem já sabia
destes trabalhos, assim mesmo nos ficamos admirados em todas as verdades que
com o tempo o trabalhador na Obra pode ir desvelando e portanto
conhecendo seu verdadeiro significado, pedimos, uma e outra vez, que nos mantenham
no entendimento destes mistérios. Para muitos, frases incoerentes que estão
mais perto do diabo que de Deus, no entanto para outros, louváveis palavras que
encerram o Grande Amor que existe pela humanidade sofredora, esse Amor maternal
que tudo lhe perdoa e que nada exige.
É importante que caminhemos para o Ser, sendo Ele,
o fundamento de todas nossas virtudes. Já que se nos esquecemos de nossa
Divindade, ficaremos mais cedo do que tarde em desgraça, e de nada nos terá
servido todo o trabalho realizado.
Em paciência possuireis
vossa Alma,
diz-nos o Mestre dos Mestres. Assim mesmo o casal formado por A.D
. Meurois-Givandan, em sua vivência no Tibet, e para ser mais concretos no
Shambhala, narram uma forma de comportamento, que todo aspirante a Luz deveria
tê-la muito presente a hora de viver, compartilhar, e em definitiva a hora de relacionar-se
com os demais:
O equilíbrio sagrado nasce
do encontro entre a sabedoria e o amor. Recolhei como se deve esta verdade
suprema. Tomando
o amor como resultado de uma atitude casta e o conhecimento ou sabedoria que
se deriva de uma vida interior profunda, fundamentada em experiências reais e
objetivas, que não são outra coisa mais do que o reflexo de uma maneira de viver,
dentro de uns princípios esotéricos.
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Na idade média a serpente chamada pelos gregos
Ouroboros se lhe assimilava com o dragão
e se lhe impunha uma atitude e um valor esotéricos, semelhantes aos da serpente
helénica. Dada a importância deste emblema, é, com o selo de Salomão
, o signo distintivo da Grande Obra, ainda que seu significado segue
sendo susceptível de interpretações variadas. Não obstante, por regra geral,
a cabeça do dragão ou do Ouroboros, assinala a parte fixa, e sua filha, a
parte volátil do composto. |
Resgatamos um fragmento dos VII Sermões ad
Mortuos de Basílides de Alexandria:
Abraxas é o deus que é difícil
conhecer. Seu poder é o supremo, pois o homem não o percebe em absoluto. O
Homem vê o summun bonum (bem supremo) do Sol, e também o infinun malum
(mal infinito) do Diabo, mas não vê a Abraxas, já que é a vida
indefinivel mesma, que é a mãe do bom e o mau. O que é dito pelo Deus-Sol
é vida. O que é dito pelo Diabo é morte. No entanto, Abraxas
pronuncia a palavra venerável e a maldita, que é, ao mesmo tempo, a vida e
a morte. Abraxas gera a verdade e a falsidade, o bem e o mau, a luz e a
sombra com a mesma palavra e a mesma ação. Portanto, Abraxas é
verdadeiramente o terrível. É a plenitude, que se une a vacuidade.
É a sagrada união; é o
amor e a morte dele; é o santo e seu traidor.
É a luz mais brilhante do
dia e a mais escura noite de loucura.
Assim o terrível Abraxas.
Ante ele, não existem perguntas nem respostas.
É a vida da criação.
É a atividade da diferenciação
É o amor do homem.
É a palavra do homem.
É tanto o resplendor como a sombra escura do homem.