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"Vesala - sutta", quem é pária?


Os
Nikaya,
coletânea de sutta, ou seja, textos mais ou menos longos relatando os
discursos do Buda, ou de discípulos diretos, pertencem ao cânone da literatura
em pali. O Vesala Sutta foi um sermão feito pelo Buda em Shravasti, para
um brâmane que, insultando - o enquanto ele fazia seu percurso diário para
mendigar alimentos, o havia chamado de "sem casta", de pária (vesala).

O homem que é colérico e raivoso, que é
mau e hipócrita, que adotou falsas visões
e é embusteiro, que seja considerado um
pária.
Aquele que neste mundo faz sofrer seres
vivos, sejam eles nascidos uma ou duas
vezes, aquele em que não há compaixão
pelos seres vivos - que seja considerado
pária.
Aquele que destrói ou faz sítio a aldeias e cidades, e se conduz como inimigo - que seja considerado um pária.
Seja na aldeia ou seja na floresta, aquele que pelo roubo se
apropria daquilo que pertence aos outros e que não é dado -
que seja consideerado um pária.
Aquele que tendo contraído uma dívida, trapaceia seu credor dizendo "eu não vos devo nada" - que seja considerado um pária.
Aquele que por cobiça por um objeto ataca um viajante para espoliá - lo - que seja considerado um pária.
O homem que em interesse próprio, de outrem, ou por riquezas, presta falso testemunho - que seja considerado um pária.

Aquele que toma as mulheres de seus familiares ou de seus amigos, seja pela força ou com o consentimento delas – que seja considerado um pária.
Aquele que fere, por gesto ou palavras, sua mãe, seu pai, seu irmão, sua irmã ou seus sogros – que seja considerado um pária.
Aquele que, sendo consultado, dá maus conselhos e conspira secretamente – que seja considerado um pária.
Aquele que tendo cometido uma má ação espera que ninguém dela tenha conhecimento e faz o mal ao se esconder – que seja considerado um pária.
Aquele que tendo ido à casa de um outro, nela recebe alimentos e não retribui esta hospitalidade – que seja considerado um pária.
Aquele que por falsidade engana um brâmane ou um samana ou qualquer outro mendigo – que seja considerado um pária.
Aquele que lança palavras irritadas e nada dá a um brâmane ou a um samana que veio mendigar na hora da refeição – que seja considerado um pária.
Aquele que está mergulhado na ignorância, que não oferece a menor esmola, mas denigre as doações mais modestas – que seja considerado um pária.
Aquele que se glorifica e despreza os outros por orgulho, sendo ele mesmo desprezível – que seja considerado um pária.
Aquele que faz nascer nos outros a cólera, é avaro, tem desejos maus, é invejoso, enganador, não tem vergonha ou não teme fazer o mal – que seja considerado um pária.
Aquele que injuria o Buda ou seu discípulo, um monge errante ou um leigo – que seja considerado um pária.
Aquele que sem ser arahant (santo) pretende sê – lo é o maior dos gatunos e verdadeiramente o mais baixo dos parias de todos os mundos, até o de Brahma.
Todos estes que acabo de descrever são realmente parias. Não é por nascimento que alguém se torna um pária. Não é por nascimento que alguém se torna brâmane. É por seus atos que alguém se torna pária, por seus atos que se torna brâmane.
Suttanipata, I, 7 in W. Rahula
L’Ensignement du Bouddha,
Le Seuil, Paris, 1961
Com todo Amor,
R.M.
Iniciado DK