Ampulheta do
Tempo
A realidade está
muito além do que os nossos sentidos percebem.
Há lugares, para além do
sonho, onde nossos olhos são cegos
e nossa percepção existe para além do
toque dos dedos.
Há espaços cósmicos onde os corpos deixam de ser
para
serem juntos. Onde a mente pára de pensar
para ser una. Onde tua mão
encontra a minha
e o elo que formando-se disto faz sentido.
Há lugares
escondidos, lugares infinitos
nos quais vale a pena ser e sentir
e não há
incongruência alguma
nesta realidade de te amar.
Há lugares, sem limites
onde teu ser à parte,
o meu ser à parte,
afinal se unem
formando
unidade.
Tu, eu
Só.
Tu,
parte
de mim
em degraus
desconhecidos.
Eu, obviamente de ti
por livre escolha, parte
no
que te tange inconsciente
em que idas eras, desconhecidas,
fomos um,
antes de uma queda súbita
que se nos rompeu e fez do uno, dualidade.
Em
que vidas que se foram, perdidas no tempo,
a matéria que te forma foi a mesma
minha, e o todo
teve força e poder e sabedoria, a ponto de transbordar
e
se transpor a outras eras... Persegue-nos na noite escura,
a noite de ser-se
dois, a loucura de ser-se separado, desamado,
transbordando-se em palavras
que se nos jorram do ensinamento
e se lançam, qual pontes e gritos de socorro,
dizendo eu sinto, eu sou,
entrelaçando-se no infinito, tornando-nos um, dentre
esferas celestiais...